Política

Obesidade e hormônios podem reduzir a fertilidade masculina, aponta especialista

Excesso de gordura e uso de testosterona ou anabolizantes podem interferir na produção de espermatozoides e na saúde hormonal.

Obesidade e hormônios podem reduzir a fertilidade masculina, aponta especialista

Um estudo apresentado no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia identificou uma redução aproximada de 54% nos níveis de testosterona dos homens ao longo dos últimos 50 anos. A análise reuniu dados de 118.593 homens de Israel, Estados Unidos, Brasil, Finlândia e Dinamarca, acompanhados entre 1972 e 2019. Conforme os pesquisadores, a queda superou 1% ao ano e ganhou intensidade a partir dos anos 2000.

A obesidade, o sedentarismo, o consumo elevado de alimentos ultraprocessados, a privação de sono, o estresse, o álcool e doenças metabólicas estão entre os fatores associados às mudanças hormonais. O excesso de gordura corporal pode interferir na produção de testosterona e, em alguns casos, a melhora do estado metabólico e do estilo de vida pode contribuir para a reversão do quadro.

Reposição de testosterona e fertilidade

A terapia de reposição de testosterona é indicada para casos de deficiência hormonal comprovada por exames e avaliação clínica, com acompanhamento profissional e doses calculadas. Ainda assim, a endocrinologista Bruna Pedrosa, da Casa de Saúde São José, afirma que a entrada de testosterona externa pode reduzir a produção natural do hormônio e afetar a formação de espermatozoides.

“Mesmo em doses corretamente calculadas e bem indicadas”, a TRT pode levar à infertilidade, segundo a médica. Por isso, os planos do paciente de ter filhos devem ser considerados antes do tratamento, além da avaliação de alternativas para elevar a testosterona.

Dados do Conselho Federal de Medicina indicam que a venda legal desses medicamentos aumentou 700% entre 2018 e 2026.

Os esteroides anabolizantes, por sua vez, são usados clandestinamente para fins estéticos ou para melhorar o desempenho físico, geralmente em quantidades acima das produzidas naturalmente pelo organismo. Essa prática pode comprometer a produção de espermatozoides e também está associada a hipertensão arterial, alterações do colesterol, doenças cardiovasculares, lesão hepática, acne, ginecomastia e mudanças psiquiátricas.

A interrupção dessas substâncias pode provocar dependência e sintomas de abstinência, como perda da libido, disfunção erétil, fadiga intensa, redução da força e da massa muscular, desânimo e sintomas depressivos. Bruna Pedrosa afirma que o desmame deve contar com acompanhamento médico especializado.

Diagnóstico e função da testosterona

A testosterona participa do desenvolvimento dos caracteres sexuais masculinos, da libido, da função sexual, da densidade óssea e do bem-estar físico. Em condições normais, os hormônios FSH e LH estimulam os testículos a produzir testosterona; em concentrações fisiológicas no tecido testicular, o hormônio também participa da produção de espermatozoides.

A deficiência hormonal pode estar relacionada a redução da libido, disfunção erétil, fadiga persistente, diminuição da força e da massa muscular, aumento da gordura corporal, perda de massa óssea, alterações de humor e redução da fertilidade. Esses sinais, porém, também podem aparecer em situações como estresse, depressão, obesidade, falta de sono, sedentarismo e doenças crônicas.

A endocrinologista ressalta que o diagnóstico não deve se basear apenas nos sintomas ou em um único exame de sangue. A confirmação exige duas etapas de exames, preparação adequada para a coleta e a presença de sintomas relevantes. Em homens com testosterona baixa, o controle da obesidade, a prática constante de exercícios e uma alimentação equilibrada podem ser opções mais eficazes e seguras do que iniciar imediatamente a reposição hormonal.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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