Política

Brasileiros são enviados dos EUA para Costa Rica, Libéria e Guiné Equatorial

Monitoramentos apontam ao menos 45 deportações de brasileiros para países terceiros durante o atual governo de Donald Trump.

Brasileiros são enviados dos EUA para Costa Rica, Libéria e Guiné Equatorial

Ao menos 45 brasileiros foram deportados dos Estados Unidos para países diferentes do Brasil durante o atual governo de Donald Trump, segundo o Third Country Deportation Watch, das organizações Refugees International e Human Rights First. A maior parte foi enviada à Costa Rica, mas também há registros de remoções para países africanos.

A estimativa é considerada conservadora por Yael Schacher, diretora para Américas e Europa da Refugees International. Ela afirma que os Estados Unidos não divulgam informações suficientes sobre os acordos e a quantidade de deportações para países terceiros.

Outro levantamento, do Deportation Data Project, ligado à Universidade da Califórnia em Berkeley e em Los Angeles, identificou 2.279 brasileiros deportados desde janeiro de 2025 sem indicação do destino. O monitoramento registra ainda 5.232 pessoas enviadas ao Brasil, 33 ao Panamá, 31 à Colômbia e 26 ao México. Também aparecem Guatemala, República Dominicana e Honduras, mas Schacher avalia que esses registros podem indicar apenas locais de troca de aeronave em viagens com destino ao Brasil.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos não confirmou operações específicas. Em resposta, afirmou que, “por razões de segurança operacional”, não comentaria as remoções e declarou que a administração utiliza todas as opções legais para cumprir a promessa de realizar a maior operação de deportação da história.

Costa Rica concentra a maioria dos casos

O Third Country Deportation Watch identificou 43 desembarques de brasileiros na Costa Rica. Rachel Schmidtke, especialista sênior para América Latina da Refugees International, disse que o país não estabelece restrições de perfil para receber deportados. Segundo ela, há casos de pessoas com familiares nos Estados Unidos, incluindo brasileiros que cuidavam de netos e cônjuges separados.

Os deportados ficam distribuídos por cinco hotéis financiados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). Schmidtke informou que havia nove brasileiros no país e que a taxa de retorno voluntário assistido ao Brasil é alta.

O Ministério das Relações Exteriores informou que tomou conhecimento das deportações para a Costa Rica em abril deste ano. A embaixada em São José localizou oito brasileiros; seis receberam assistência consular e cinco manifestaram intenção de retornar ao Brasil por um programa coordenado pela OIM. O ministério também afirmou que os brasileiros teriam sido detidos ao tentar entrar nos Estados Unidos e aceitado a deportação voluntariamente.

Remoções para a África

A Refugees International tem informações sobre brasileiros na Guiné Equatorial e na Libéria. Schacher avalia que parte desses casos envolve pessoas que buscaram asilo nos Estados Unidos e receberam algum tipo de proteção. Para ela, o envio a um terceiro país pode contornar decisões que impediriam a devolução direta ao Brasil.

Paola dos Santos afirmou ter permanecido presa por 15 meses nos Estados Unidos antes de ser deportada para a Libéria em agosto. O Itamaraty informou que não recebeu pedido de assistência consular relacionado ao caso.

Pietro Graza de Lima disse ter vivido cerca de sete anos em Orlando antes de ser enviado, em agosto, à Libéria, onde se recusou a desembarcar, e depois à Guiné Equatorial. Segundo sua representante legal, ele recebeu proteção com base na Convenção contra a Tortura, embora também tivesse uma ordem de deportação. Lima afirmou que perdeu um rim e parte do intestino após ser baleado no Brasil.

Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador sênior do American Immigration Council, explicou que pessoas nessa situação têm direito a uma entrevista para indicar um país onde poderiam ser enviadas com segurança. Ele afirmou que esse procedimento não teria ocorrido no caso de Lima.

O Itamaraty informou que a embaixada brasileira em Malabo foi avisada em 25 de agosto sobre a presença de um brasileiro entre os deportados para a Guiné Equatorial. Em 2, o embaixador foi recebido pelo chefe do Departamento consular da chancelaria equato-guineense. O brasileiro estava em boa situação de saúde e hospedado em um hotel indicado pelas autoridades locais. Até o momento, não havia pedido de assistência consular feito por ele ou por sua família.

Schacher afirmou que o número de brasileiros enviados à África ainda é pequeno, mas pode aumentar. Ela citou acordos dos Estados Unidos com Cabo Verde e negociações em andamento com Guiné-Bissau como fatores de preocupação para a possibilidade de novas deportações de brasileiros.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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