RIO DE JANEIRO — A desaceleração ou a interrupção da perda de peso durante o uso das chamadas canetas emagrecedoras exige uma avaliação individualizada. Antes de qualquer mudança no tratamento, devem ser considerados alimentação, atividade física, composição corporal e resposta ao medicamento.
A redução do peso pode ativar mecanismos compensatórios do organismo, como aumento da fome, diminuição da saciedade e menor gasto energético. Esse processo pode contribuir para o chamado efeito platô. A endocrinologista Marcela Chambarelli, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, afirma que a obesidade é uma doença crônica influenciada por fatores genéticos, biológicos, hormonais, comportamentais e sociais. Por isso, o cuidado precisa ser mantido no longo prazo.
O especialista em cirurgia bariátrica e metabólica Fernando de Barros, do Hospital São Lucas Copacabana, ressalta que “a caneta precisa estar inserida em um plano terapêutico, com acompanhamento médico e uma estratégia definida para cada caso”.
Entre os cuidados recomendados está a prática regular de atividade física, com combinação de musculação e exercícios aeróbicos para ajudar a preservar a massa muscular e manter o peso perdido. A alimentação também deve continuar estruturada, mesmo quando os medicamentos controlam a fome. O acompanhamento nutricional pode auxiliar no consumo adequado de proteínas e fibras e na redução da exposição a alimentos associados à compulsividade.
Sono e estresse também devem ser monitorados. A orientação é manter horários regulares para dormir e acordar, priorizar um ambiente tranquilo e confortável e reduzir telas e outros estímulos perto do horário de dormir. Uma rotina adequada pode contribuir para a regulação do apetite, a disposição e a manutenção de hábitos alimentares e de atividade física.
O peso deve ser acompanhado em intervalos regulares, conforme orientação profissional. Aumento progressivo ao longo de algumas semanas, especialmente com fome persistente, compulsão alimentar ou dificuldade para manter a rotina, deve ser discutido com médico ou nutricionista. A avaliação pode considerar alimentação, sono, estresse, atividade física, medicamentos e outras condições de saúde.
A interrupção da medicação também precisa ser planejada com o médico. O endocrinologista Danilo Romano, do Hospital Samaritano Higienópolis, afirma que a expressão “efeito rebote” pode sugerir de forma equivocada que o medicamento provocou uma piora. Para ele, o termo mais adequado é recorrência da obesidade após a retirada do tratamento, quando os mecanismos biológicos da doença voltam a se manifestar.
Romano defende que o objetivo não seja apenas alcançar um número na balança, mas construir uma estratégia de cuidado continuado. Fernando de Barros alerta ainda para os riscos da automedicação e do uso recreativo das canetas, que não devem ser utilizadas sem acompanhamento profissional especializado.









