Economia

Como definir limites para vender uma ação em queda

Especialistas recomendam estabelecer critérios de perda, ganho e acompanhamento da tese antes de investir na Bolsa.

Como definir limites para vender uma ação em queda

A decisão de vender uma ação em queda deve ser tomada a partir dos fundamentos do investimento, dos riscos aceitos e dos objetivos definidos antes da compra. Especialistas ouvidos sobre o tema recomendam estabelecer previamente limites de perda e de ganho para reduzir a influência das emoções no momento de decidir.

O chamado stop loss determina o quanto o investidor aceita perder em uma operação. Já o stop gain estabelece uma meta de valorização para evitar que um lucro seja devolvido ao mercado por falta de um plano de saída. A definição desses parâmetros é especialmente relevante quando há alternativas de renda fixa e taxas de juros elevadas.

O que avaliar antes de vender

Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, afirma que muitos investidores só começam a pensar na venda quando o papel já caiu e o prejuízo supera o esperado. Segundo ele, a decisão de sair deveria ser planejada antes da compra, com uma análise sobre a empresa, o retorno esperado e as condições que poderiam invalidar a tese.

A queda isolada de uma ação não indica necessariamente que chegou a hora de vender. Gustavo Assis, CEO da gestora Asset, recomenda verificar se houve deterioração nos fundamentos, como piora na geração de caixa, aumento do endividamento, redução das margens, mudança de governança ou perda de vantagem competitiva. Nesses casos, o valor justo da empresa precisa ser recalculado para avaliar se ainda faz sentido permanecer no investimento.

O preço pago também pode distorcer a decisão. O investidor pode manter uma ação apenas na expectativa de recuperar o dinheiro, mesmo quando a empresa já não apresenta os mesmos fundamentos. Para Assis, a análise não termina com a compra: é preciso monitorar continuamente a tese.

Formas de estabelecer o limite

Schroeder afirma que não existe uma regra única para definir o stop loss. O parâmetro depende da tese de compra, do tipo de análise, do apetite por risco e da estratégia adotada. Ele considera útil a relação de 1 para 3: se a meta de lucro for de 15%, por exemplo, o limite de perda seria de 5%. O especialista ressalta que esse modelo serve como referência, não como regra fixa.

Flavio Terni, cofundador do family office Revert, apresenta três formas práticas de controlar perdas e preservar ganhos. A primeira é determinar um percentual sobre o preço de entrada, como sair depois de uma queda de 15% ou 20%. A segunda é registrar, antes da compra, os motivos do investimento e os acontecimentos que fariam essa justificativa deixar de valer. A terceira é controlar o tamanho da posição, evitando que um único erro comprometa o patrimônio.

Terni também destaca que o limite deve funcionar nos dois sentidos. Sem uma meta de saída no lucro, o investidor pode continuar esperando uma alta adicional e transformar um resultado positivo em perda ou em um desempenho inferior ao CDI.

Exemplos e lições

A Squadra Investimentos reconheceu que o investimento em Hapvida (HAPV3) foi seu maior erro e prejudicou os resultados dos fundos da gestora desde o ano passado, quando os problemas da companhia ficaram mais visíveis. Para Terni, assumir o erro, explicar as falhas e redimensionar a posição faz parte de um processo de gestão de risco.

Schroeder cita também a Casas Bahia (BHIA3). As ações, que chegaram a valer R$ 400 em 2020, eram negociadas a R$ 0,75 nesta semana, após a empresa anunciar um pedido de recuperação judicial. Ele ainda menciona Lojas Americanas, Gol, Magazine Luiza, Oi, Azul e Cogna como empresas cujos papéis foram mantidos por investidores na expectativa de recuperação.

Os especialistas ressaltam que até gestores profissionais podem errar uma tese. O investimento envolve cenários e probabilidades, e não certezas. Por isso, quando as premissas mudam, a estratégia também precisa ser revista, sem que o investidor permaneça no papel apenas por dificuldade de admitir uma perda.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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