RIO DAS OSTRAS — Um sítio arqueológico localizado no centro de Rio das Ostras preserva vestígios de populações que ocuparam a região entre 2 mil e 4 mil anos atrás. O Sambaqui da Tarioba reúne conchas, ossadas e ferramentas de pedra e funciona como museu no mesmo local das escavações.
A cidade da Costa do Sol também é conhecida por suas praias, pela estrutura da orla e pelo Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, considerado o maior evento gratuito do gênero na América Latina. Esses elementos convivem com uma expansão populacional associada à atividade petrolífera e à busca por uma rotina mais tranquila.
Crescimento ligado ao petróleo
Entre os Censos de 2010 e 2022, o número de habitantes passou de 105.676 para 156.491, alta de 48,08%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi a segunda maior expansão populacional do estado no período, atrás de Maricá. Para 2025, a estimativa do instituto era de 168.455 moradores.
A proximidade com a Bacia de Campos, principal reserva petrolífera do país, transformou Rio das Ostras em base de apoio para o setor a partir dos anos 1990. Segundo a Prefeitura de Rio das Ostras, os royalties financiaram obras de saneamento, parques urbanos e intervenções na orla. A administração municipal também aponta um crescimento histórico de cerca de 11% ao ano.
O município tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,773, classificado como alto e o terceiro melhor do estado, de acordo com o IBGE. Na edição de 2025 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), aparece na quarta posição estadual em Emprego e Renda, com grau de desenvolvimento alto.
Litoral e memória histórica
Rio das Ostras tem cerca de 15 praias distribuídas por 28 km de litoral. Entre os pontos citados estão Costazul, com um píer sobre o mar; a Praça da Baleia, que abriga uma escultura de uma jubarte; e a Lagoa de Iriry, conhecida como Lagoa da Coca-Cola por causa da coloração escura da água.
O Monumento Natural dos Costões Rochosos oferece trilhas leves e observação da vida marinha. Já o Museu de Arqueologia Sambaqui da Tarioba permite percorrer o próprio sítio histórico. O local foi mapeado em 1967 pelo professor Ondemar Dias, do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), e teve a datação confirmada por testes de carbono-14.
A área era chamada de Leripe pelos povos indígenas, expressão tupi-guarani associada a lugar de ostra. Antes de se tornar balneário, o território era ocupado por caçadores e coletores seminômades.
Festival reúne música e programação ao ar livre
A aposta em jazz e blues começou em 2003, quando a prefeitura substituiu os shows da temporada de verão por esse formato. A primeira edição contou com o guitarrista Stanley Jordan. Desde então, o festival acumulou mais de 600 shows gratuitos e público histórico superior a 1,2 milhão de pessoas, segundo a prefeitura.
A 22ª edição ocorreu entre 4 e 7 de junho de 2026, durante o feriado de Corpus Christi. Foram mais de 30 atrações nacionais e internacionais em cinco palcos ao ar livre. De acordo com estudos da FGV-RJ e do Sebrae citados pela organização, cada edição atrai entre 100 mil e 130 mil pessoas e movimenta cerca de R$ 9 milhões na economia local.
O acesso ao município ocorre principalmente pela BR-101, com trecho final pela Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106). A partir do Rio, o trajeto leva cerca de duas horas e meia. De Búzios ou Cabo Frio, são pouco mais de 60 km pela mesma rodovia. O aeroporto mais próximo fica em Macaé, a cerca de 30 km do centro.








