O ambiente de juros elevados mantém em destaque os investimentos isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14% em agosto, enquanto o mercado espera pelo menos mais um corte neste ano, para 13,75%, na reunião da próxima semana.
A lista de 15 papéis recomendados por XP e Itaú BBA reúne oito CRIs, cinco debêntures incentivadas, uma CPR e uma LCI. As remunerações vão de 86% do CDI, no investimento considerado mais conservador, a IPCA + 10,96%, no de maior risco. Os vencimentos ficam entre setembro de 2027 e fevereiro de 2038.
A isenção permite que uma taxa nominalmente menor supere, no rendimento líquido, a de um título tributado. A comparação deve considerar o chamado gross-up. Também é necessário observar a proteção do Fundo Garantidor de Créditos: LCIs e LCAs têm cobertura de até R$ 250 mil por CPF, enquanto ativos de crédito privado, como debêntures incentivadas, não contam com essa garantia.
Papéis atrelados à inflação
Entre os oito títulos que pagam juros reais, estão a Debênture Águas do Rio 4, o CRI Assaí, o CRI Log CP, o CRI Rede D’Or, a Debênture Raposo Castelo, a Debênture Eletrobras, a CPR Suzano e a Debênture Engie.
A Debênture Águas do Rio 4 é o papel de maior taxa e de menor rating da relação, com classificação brA e perspectiva negativa pela S&P. A análise considera o amadurecimento da concessão, mas aponta necessidade elevada de investimentos, riscos de execução e exposição regulatória e jurídica.
O CRI Assaí tem duration de dois anos e spread de 372 pontos-base sobre a NTN-B após o imposto. O CRI Log CP apresenta duration de 3,9 anos e spread de 270 pontos-base. Já o CRI Rede D’Or, considerado conservador, tem duration de sete anos e spread de 180 pontos-base.
A Debênture Raposo Castelo vence em março de 2029 e conta com fiança integral da Ecorodovias Concessões e Serviços. A Debênture Eletrobras está ligada à Axia, que reportou Ebitda ajustado de R$ 6,683 bilhões no segundo trimestre. A CPR Suzano tem como referência a maior produtora global de celulose de eucalipto, enquanto a Debênture Engie é o título mais longo da lista, com vencimento em fevereiro de 2038 e duration de 7,7 anos.
Essa classe pode proteger o poder de compra e ganhar valor se a curva de juros reais fechar. Em contrapartida, é mais sensível à marcação a mercado em caso de resgate antecipado.
Títulos prefixados
Os três prefixados são o CRI Brasil Terrenos, o CRI Multiplan e a Debênture Coelba. A XP recomenda duration próxima de três anos, com preferência pela parte curta e intermediária da curva, e mantém cautela com vencimentos longos.
O CRI Brasil Terrenos tem a maior taxa prefixada da lista, com spread de 216 pontos-base sobre a LTN após o imposto e perfil arrojado. O CRI Multiplan é classificado como conservador e tem spread de 147 pontos-base. A Debênture Coelba conta com fiança da Neoenergia e tem taxa contratada de 13,50%, equivalente a 15,19% em um título tributado.
O prefixado trava a taxa na compra e tende a se beneficiar quando os juros caem mais do que o mercado projeta. Por outro lado, fica mais exposto a uma eventual surpresa de inflação para cima.
Alternativas pós-fixadas
A parcela pós-fixada inclui dois CRIs da Brasil Terrenos, além dos CRIs Iguatemi e Allos e da LCI Banco Inter. Esses investimentos acompanham a variação diária dos juros e mantêm carrego elevado enquanto a Selic permanece alta, com baixa volatilidade.
O CRI Brasil Terrenos paga 101,69% do CDI isento, equivalente a 120% do CDI em um papel tributado. O título tem duration de 2,4 anos e perfil arrojado. O CRI Iguatemi remunera 93,76% do CDI, equivalente a 110% do CDI tributado, com duration de 3,8 anos e perfil conservador.
O CRI Allos paga 92% do CDI, equivalente a 104% do CDI tributado, com juros mensais. A LCI Banco Inter remunera 86% do CDI isento, equivalente a 103% do CDI tributado. É o único papel da relação com cobertura do FGC, além de ser o de vencimento mais curto, em setembro de 2027, e ter liquidez apenas no vencimento.
A XP mantém visão positiva para os pós-fixados, mas recomenda seleção no crédito privado e prioridade para emissores de alta qualidade. A remuneração abaixo de 100% do CDI em ativos isentos não significa necessariamente retorno inferior ao CDI líquido de imposto.









