Economia

Deflação reduz taxas do Tesouro e divide estratégias para a renda fixa

Queda do IPCA reacende o debate entre alongar vencimentos para buscar valorização ou manter recursos em pós-fixados com liquidez.

Deflação reduz taxas do Tesouro e divide estratégias para a renda fixa

As taxas do Tesouro Direto caíram de forma generalizada nesta sexta-feira, após o IBGE informar que o IPCA teve deflação de 0,32% em agosto. O resultado foi mais intenso que a queda de 0,29% projetada em pesquisa de mercado. O juro real do Tesouro IPCA+ 2032 recuou 0,15 ponto percentual, para IPCA + 7,57%, enquanto os títulos prefixados tiveram baixas de 8 a 10 pontos-base.

O dado reforçou a avaliação de que a inflação pode estar desacelerando mais rapidamente que o previsto, aumentando a possibilidade de redução mais intensa da Selic. O IPCA-15 já havia registrado queda de 0,40%. O crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, acompanhado de fraqueza nos setores mais sensíveis aos juros, também levou a XP a revisar suas projeções para uma inflação menor.

Duas estratégias para a renda fixa

Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, vê espaço para ampliar a duração dos investimentos, ainda que de forma marginal. Ele considera possível uma Selic de até 12,50% ao ano no fim de 2026 e prefere vencimentos intermediários, especialmente entre cinco e sete anos.

Na avaliação de Oliveira Jr., a migração de investimentos pós-fixados para prefixados e títulos IPCA+ poderia representar entre 20% e 40% da carteira de renda fixa. Papéis mais longos tendem a se valorizar mais quando as taxas futuras caem. A XP também aumentou a recomendação para prefixados.

Esse movimento envolve risco. Em um título com duração próxima de cinco anos, uma alta inesperada de 1 ponto percentual na curva pode provocar perda de 4% a 5% para quem precisar vender antes do vencimento. Segundo Oliveira Jr., a recuperação desse resultado poderia levar entre 6 e 18 meses, dependendo do juro contratado.

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, recomenda cautela e defende a permanência em pós-fixados de boa qualidade e alta liquidez. “O investidor não deveria fazer agora um movimento relevante para alongar prazo e apostar em fechamento de curva”, afirmou.

Entre os riscos estão uma nova piora do IPCA, pressões do petróleo e do El Niño, além de um choque de liquidez global, piora do câmbio ou aumento do prêmio de risco no Brasil. Para Corano, a estratégia deve ser revista se o país voltar a exigir juros elevados para compensar riscos, e não apenas para combater a inflação.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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