Política

Inflação diverge no Brasil e nos EUA às vésperas das eleições

IPCA desacelera no Brasil, enquanto inflação americana acelera; trajetórias distintas influenciam juros e discurso político.

Inflação diverge no Brasil e nos EUA às vésperas das eleições

Brasil e Estados Unidos divulgaram os dados de inflação de agosto nesta sexta, 11, com resultados opostos. No Brasil, o IPCA caiu 0,32% no mês e desacelerou de 4,44% para 4,22% em 12 meses. Nos Estados Unidos, o CPI avançou 0,4% em agosto e acumulou alta de 3,4% em 12 meses.

A diferença ocorre às vésperas de eleições nos dois países. No Brasil, o primeiro turno presidencial será em outubro. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato serão realizadas em novembro. As decisões dos bancos centrais e a forma como os políticos vão apresentá-las devem entrar no debate eleitoral.

Brasil tem deflação, mas serviços seguem pressionados

A queda do IPCA foi influenciada principalmente pela energia elétrica residencial, que recuou 7,63% com o bônus de Itaipu. O impacto desse componente ficou próximo de -0,33 ponto percentual, praticamente equivalente à deflação de 0,32% do índice. O efeito será revertido em setembro, e, sem a energia elétrica, o resultado mensal teria sido positivo.

Medidas usadas pelo Banco Central para observar tendências mais persistentes também mostraram melhora, incluindo a desaceleração dos preços de bens industriais. Os serviços, porém, continuam como ponto de resistência. Os serviços menos sujeitos a oscilações ocasionais subiram 0,40% e acumulam aproximadamente 5% em 12 meses. Entre os serviços mais dependentes de mão de obra, a inflação chega a 7,18% em 12 meses.

O nível acumulado dos preços também pesa sobre a percepção das famílias. Entre janeiro de 2020 e junho de 2026, o IPCA acumulou cerca de 43,3%, enquanto a alimentação no domicílio avançou aproximadamente 67,5%. A inflação menor reduz a velocidade da alta, mas não desfaz o encarecimento acumulado.

O Copom decidirá na próxima semana o novo patamar da Selic, hoje em 14% ao ano. O mercado atribuía cerca de 95% de probabilidade a um corte de 0,25 ponto percentual.

Pressão maior nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o CPI avançou em agosto, e o componente de serviços menos energia e habitação, conhecido como supercore, subiu 0,5% no mês e 3% em 12 meses. A gasolina aumentou 3,9% em agosto, enquanto a energia voltou a pressionar o índice.

A inflação americana permanece acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve. Os preços ao consumidor estão mais de 30% acima dos níveis do início de 2019. Desde 2012, a carne bovina acumula alta próxima de 96%; os aluguéis, 75%; a alimentação fora de casa, 69%; e os reparos de veículos, 81%.

Os salários voltaram a perder para os preços em agosto, no quinto mês consecutivo de queda do salário real. O Fed enfrenta pressão de Donald Trump, que defende juros menores, enquanto os dados de inflação podem sustentar uma política monetária mais restritiva. As apostas indicavam 90% de probabilidade de alta de 0,25 ponto pelo Fed após a divulgação do CPI.

Inflação e eleições

Lula pode apresentar a desaceleração do IPCA, a deflação de agosto e uma possível redução da Selic como sinais favoráveis. O contraponto é a experiência cotidiana de famílias que enfrentam preços mais altos de alimentos, combustível, moradia e serviços.

Trump, por sua vez, enfrenta uma inflação de 3,4%, pressão do petróleo sobre a energia e a possibilidade de alta dos juros. Uma elevação pode reforçar as pressões sobre financiamentos imobiliários, automóveis e outros itens comprados a crédito.

Uma alta dos juros americanos também pode fortalecer o dólar, alterar fluxos de capital e pressionar as condições financeiras de países emergentes. Isso reduziria o espaço para futuros cortes pelo Copom.

Brasil e Estados Unidos vivem momentos diferentes do ciclo inflacionário: o Brasil desacelera e se prepara para reduzir juros, enquanto os Estados Unidos voltaram a enfrentar pressão e podem elevar os seus. Para os bancos centrais, importa a velocidade futura dos preços. Para os eleitores, também pesa quanto os produtos e serviços encareceram ao longo dos anos.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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