O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, 11, pressionado pela queda das commodities e por incertezas no cenário político brasileiro. O movimento ocorria apesar da alta das bolsas de Nova York e da Europa e da redução dos juros futuros após a divulgação do IPCA de agosto.
Às 11h26, o principal índice da B3 caía 0,81%, aos 186.741,76 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 188.586,47 pontos e a abertura estável em 188.267,71 pontos. Na véspera, o indicador havia subido 1,42%, para 188.268,59 pontos, e acumulava alta de 1,69% na semana.
Inflação e juros
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, o índice acumulou variação positiva de 4,22%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados ficaram abaixo das medianas da pesquisa Projeções Broadcast, de -0,29% no mês e 4,26% em 12 meses.
O banco BV informou que a difusão do IPCA ficou em 54,38% em agosto, ante 46,30% em julho. Para Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, o resultado favorece um novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, de 14% para 13,75%, na quarta-feira que vem.
Nos Estados Unidos, o CPI avançou 0,4% em agosto na comparação mensal e 3,4% na comparação anual, em linha com as projeções. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirmou que a deflação brasileira ajudou a Bolsa no início do pregão, enquanto a inflação americana aumenta as chances de elevação dos juros pelo Federal Reserve.
Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, disse que os dados americanos não mostraram uma tendência de desinflação e contribuem para uma alta dos juros pelo Fed na próxima semana.
Commodities e cenário político
O minério de ferro fechou em queda de 1,78% em Dalian e de 2,52% em Singapura. O petróleo recuava mais de 2%, após subir quase 6% na sessão anterior, em meio a preocupações com a oferta da commodity relacionadas aos conflitos entre EUA e Irã.
No ambiente político, investidores aguardavam a pesquisa eleitoral Datafolha prevista para esta sexta-feira. Levantamento Futura/100% Cidades divulgado no mesmo dia apontou Luiz Inácio Lula da Silva na liderança do primeiro turno, com 39,2% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparecia com 33,6%, seguido por Augusto Cury, com 6,4%; Ronaldo Caiado, com 4,4%; Renan Santos, com 4,3%; Pablo Marçal, com 2,3%; e Romeu Zema, com 0,7%.
Também repercutiu no mercado a decisão do ministro André Mendonça, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de retirar o sigilo do inquérito sobre fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e de outros 14 processos. Foram preservados documentos considerados capazes de prejudicar as investigações. O STF também publicou dois contratos do Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Operadores mantiveram o risco político no radar diante da possibilidade de impacto das investigações na campanha do senador apontado como principal oponente de Lula e visto pelo mercado financeiro como mais expansionista.








