Economia

Inflação opõe Brasil e EUA antes das decisões sobre juros

IPCA negativo reforça expectativa de corte da Selic, enquanto núcleo do CPI americano aumenta a dúvida sobre o Fed.

Inflação opõe Brasil e EUA antes das decisões sobre juros

Os dados de inflação divulgados na mesma sexta-feira apontaram direções diferentes para a política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. No Brasil, o IPCA recuou 0,32% em agosto, enquanto o CPI americano avançou 0,4%, com aceleração do núcleo do índice. As informações foram divulgadas pelo IBGE e pelo Departamento do Trabalho americano.

A variação brasileira veio depois de uma alta de 0,07% em julho e ficou abaixo da mediana das projeções de mercado, concentrada entre −0,28% e −0,29%. Em 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,44% para 4,22%, abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta.

A principal contribuição para a queda veio do grupo habitação, que recuou 1,87%. Dentro dele, a energia elétrica residencial caiu 7,63% por causa do bônus da Itaipu Binacional nas contas de luz. O IBGE informou que, sem a energia elétrica, o índice teria ficado praticamente estável. O efeito, porém, não deve se repetir na mesma magnitude em setembro.

Transportes teve queda de 0,86%, influenciada pelos combustíveis e pelas passagens aéreas. Alimentação e bebidas recuou 0,34%, no terceiro mês seguido de baixa. Já as despesas pessoais subiram 1,30%, maior alta entre os grupos, principalmente por causa do cigarro.

Nos Estados Unidos, o CPI passou de uma alta de 0,1% em julho para 0,4% em agosto, em linha com as projeções. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês, acima da expectativa de 0,2% e da alta de 0,2% registrada em julho. Em 12 meses, entretanto, o núcleo desacelerou de 2,5% para 2,4%.

A gasolina subiu 3,9% e respondeu por mais de um terço da inflação cheia. O índice de abrigo, que inclui aluguéis, avançou 0,3%, com forte contribuição da hospedagem fora de casa.

As informações serão consideradas antes das decisões dos bancos centrais. A reunião do Federal Reserve está marcada para 15 e 16 de setembro. No Brasil, a deflação e a desaceleração acumulada em 12 meses reforçam a expectativa de redução de 25 pontos-base da Selic na reunião do Copom, embora o caráter temporário da queda da energia limite a interpretação de uma desinflação permanente. Nos Estados Unidos, a aceleração do núcleo sustenta a possibilidade de manutenção dos juros ou de um ajuste pontual de alta.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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