Pequenas placas amareladas nas pálpebras, chamadas xantelasma, foram associadas a uma incidência maior de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e ataque isquêmico transitório, conhecido como “mini-AVC”. A conclusão consta de um estudo publicado em maio na revista Atherosclerosis, com acompanhamento de até dez anos.
A pesquisa avaliou registros de saúde de 17.925 pessoas com xantelasma e comparou os resultados com os de outro grupo do mesmo tamanho. Os participantes desse segundo grupo tinham presbiopia, alteração que dificulta a visão de perto e é comum com o envelhecimento, mas não apresentavam xantelasma.
Os pesquisadores identificaram maior ocorrência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares entre as pessoas com as placas nas pálpebras tanto no curto quanto no longo prazo. O resultado, porém, não demonstra que o xantelasma provoque diretamente um infarto ou um AVC.
Diferenças observadas no acompanhamento
No primeiro ano, o infarto atingiu 1% dos pacientes com xantelasma, contra 0,35% no grupo de comparação. Os índices de AVC foram de 0,95% e 0,3%, respectivamente. Já o ataque isquêmico transitório ocorreu em 0,6% dos participantes com xantelasma e em 0,19% daqueles sem a condição.
Após cinco anos, 2,26% das pessoas com xantelasma haviam sofrido infarto, ante 1,13% no grupo sem as placas. Para AVC, os percentuais foram de 2,25% e 1,03%. A associação permaneceu durante o período analisado, que chegou a dez anos.
O xantelasma costuma aparecer como uma placa ou uma pequena elevação amarelada, geralmente perto do canto interno das pálpebras. A alteração pode estar relacionada ao acúmulo de colesterol e outras gorduras sob a pele. Em parte dos casos, também está associada a níveis elevados de colesterol no sangue.
Possível relação com a aterosclerose
A hipótese dos pesquisadores é que o xantelasma funcione como um sinal visível de alterações que também afetam os vasos sanguíneos. O colesterol participa da formação das placas de gordura que se acumulam dentro das artérias, processo conhecido como aterosclerose.
Com a progressão da doença, essas placas podem reduzir o espaço das artérias e dificultar a passagem do sangue. Se o fluxo for interrompido no coração, pode ocorrer um infarto. No cérebro, a obstrução pode provocar um AVC. Como a aterosclerose costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, uma alteração visível poderia ajudar a indicar pessoas que precisam de uma avaliação cardiovascular mais detalhada.
Os autores ressaltam que estudos anteriores tiveram resultados diferentes. Em algumas pesquisas, houve associação entre xantelasma e doenças cardiovasculares; em outras, a relação diminuiu quando fatores de risco tradicionais foram considerados. Além disso, os eventos foram observados em pessoas com xantelasma independentemente da presença de níveis anormais de gordura no sangue.
A presença das placas não significa que um infarto esteja próximo. A orientação é conversar com um profissional de saúde, que poderá avaliar a necessidade de investigar colesterol, pressão arterial, diabetes e outros fatores ligados ao risco cardiovascular.








