Saúde

SUS amplia atendimento à esclerose múltipla, mas acesso varia entre regiões

Estudo com registros de 27 mil pacientes relaciona crescimento do tratamento à mudança de protocolo adotada em 2021.

SUS amplia atendimento à esclerose múltipla, mas acesso varia entre regiões

O número de pacientes com esclerose múltipla tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 25,9% entre 2019 e 2023, aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein. A pesquisa analisou registros de 27 mil pessoas atendidas pela rede pública em todo o país e identificou diferenças regionais no acesso aos medicamentos mais modernos.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central. Nela, o organismo ataca a bainha de mielina, camada que reveste os neurônios e contribui para a condução dos impulsos nervosos. Esse processo pode provocar lesões no cérebro e na medula espinhal, além de sintomas como fraqueza muscular, dificuldades motoras, alterações visuais e fadiga.

Efeito da mudança no protocolo

O crescimento do atendimento ocorreu após a atualização do protocolo clínico do SUS em 2021. A alteração passou a permitir que medicamentos de alta eficácia fossem prescritos desde o início do tratamento. Antes, os pacientes precisavam começar com remédios de menor potência e só depois avançar para opções mais eficazes.

A neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein e líder da pesquisa, afirmou que “a prescrição de medicações de alta eficácia aumentou em todas as regiões do Brasil, mas de forma desigual e heterogênea”. Entre as possíveis explicações citadas por ela estão dificuldades na estrutura de atendimento, a escassez de centros de infusão e problemas na distribuição dos medicamentos.

O estudo foi publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders.

Diagnóstico demora

A demora para identificar a doença também prejudica o cuidado. Claudia Vasconcelos, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, atribui parte do atraso à espera por exames complementares, principalmente a ressonância magnética de crânio, usada para confirmar lesões cerebrais e medulares.

Segundo Vasconcelos, os sintomas podem ser interpretados de forma equivocada na atenção básica e confundidos com ansiedade ou problemas ortopédicos. “Os pacientes não são direcionados ao neurologista”, disse.

A especialista defende ampliar o acesso à ressonância magnética e à análise do líquor, além de capacitar profissionais da atenção primária. Essas medidas, segundo ela, ajudariam a antecipar diagnósticos e a reduzir os efeitos dos surtos da doença.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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