A Polícia Federal suspeita que Paulo Sérgio Neves, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, tenha recebido pelo menos 4,8 milhões de reais em propina de Daniel Vorcaro. A investigação relaciona o valor a uma transação envolvendo um imóvel rural e a empresa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
Em uma mensagem enviada a Zettel, Vorcaro afirmou que Paulo Sérgio estava sendo “um anjo na vida”. O relatório policial, divulgado após a retirada do sigilo das investigações sobre o Master, registra que o banqueiro orientou o cunhado a tratar bem o ex-diretor do BC.
A PF identificou uma minuta de contrato de compra e venda enviada por Zettel a Vorcaro em 15/01/2020. O documento previa a venda de um imóvel rural por R$ 4.800.000,00, tendo como vendedores Paulo Sérgio e o irmão dele, Luís Roberto Neves.
De acordo com o relatório, a propriedade foi transferida em 06/10/2021 para a Pipe Participações Ltda., cujo sócio é Fabiano Zettel. A investigação afirma que Zettel não teria mantido contato direto com os vendedores e que Vorcaro coordenou a negociação, inclusive o envio da minuta para ajustes no contrato.
Os investigadores levantam a possibilidade de a empresa ter sido usada como intermediária na operação. O documento também afirma que empresas ligadas ao cunhado eram utilizadas por Vorcaro para realizar pagamentos por fora.
Investigação sobre atuação no Banco Central
Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro levaram a PF a apontar a existência de uma espécie de assessoria paralela do Banco Central em favor do banqueiro e dos interesses do conglomerado Master.
Segundo a investigação, o grupo envolvia Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, e Belline Santana, ambos servidores da área de supervisão bancária. Paulo Sérgio teria orientado Vorcaro sobre operações relacionadas aos bancos Voiter, Will Bank e Letsbank, além de ajudá-lo a preparar reuniões com dirigentes do Banco Central.








