AMAZONAS — Uma minirrede solar deve permitir o funcionamento de uma unidade de processamento de açaí planejada há quase dez anos pelos moradores da comunidade Bela Conquista, na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna. A estrutura busca reduzir perdas na colheita e ampliar a capacidade local de comercialização, com menor dependência de intermediários.
A unidade poderá processar até 36 mil litros de açaí por ano. O sistema fotovoltaico tem capacidade de 50 quilowatts-pico e armazenamento de 165 quilowatts-hora em baterias. Antes da instalação, a instabilidade no fornecimento de eletricidade impedia o uso pleno dos equipamentos e mantinha a produção parada.
Modelo para outras comunidades
A iniciativa é conduzida pela Fundação Amazônia Sustentável, pela Global Energy Alliance for People and Planet e pelo Ministério de Minas e Energia. Os parceiros pretendem usar Bela Conquista como referência para até 20 projetos-piloto nos próximos anos, com alcance estimado de cerca de 25 comunidades amazônicas.
As futuras instalações poderão atender atividades como pesca, agricultura familiar e processamento de outros produtos da floresta. A previsão é que o conjunto dos projetos gere até 1 gigawatt-hora de energia solar por ano, evitando o consumo de cerca de 255 mil litros de diesel e a emissão de 680 toneladas de CO2.
Daniel Gama, presidente do projeto da unidade de beneficiamento, afirma que a falta de energia confiável era o principal obstáculo para colocar o empreendimento em funcionamento. Segundo ele, a eletricidade disponível não tinha capacidade para operar todos os equipamentos necessários.
A unidade foi planejada pelos moradores para agregar valor à produção de açaí e abrir novos mercados. No Brasil, quase um milhão de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade, e mais de 95% desse grupo está na Amazônia. Parte da população restante depende de geradores a diesel, com custo alto e fornecimento instável.









