Ciência

Estudo identifica avanço acelerado de calor e seca no centro-norte amazônico

Pesquisa com mais de 50 cientistas aponta que extremos climáticos avançam mais rápido que a temperatura média em parte da Amazônia.

Estudo identifica avanço acelerado de calor e seca no centro-norte amazônico

Uma área equivalente a mais de 700 mil km² da Bacia Amazônica registrou aumento de pelo menos 0,75ºC por década nas temperaturas extremas durante a estação seca. O dado faz parte de um estudo publicado nessa quarta-feira (9) na revista Communications Earth & Environment, com participação de mais de 50 cientistas internacionais.

A pesquisa analisou as mudanças ocorridas entre 1981 e 2023 e concluiu que o centro-norte da Amazônia apresenta o avanço mais rápido quando são considerados os episódios excepcionais de calor e seca. Desde 1981, o aumento acumulado nessa região supera 3,22ºC.

O resultado difere do observado na análise das temperaturas médias. Nesse critério, a Amazônia Meridional continua sendo a área de aquecimento mais veloz. Em toda a Amazônia, a temperatura média cresce cerca de 0,21ºC por década, ritmo inferior ao identificado para os extremos no centro-norte.

Como a pesquisa foi feita

A equipe dividiu a Amazônia em células de aproximadamente 11 quilômetros e reuniu informações de satélites e estações meteorológicas locais. O procedimento permitiu identificar o período seco de cada área e comparar as alterações ao longo de 1981 e 2023.

Os pesquisadores também calcularam o déficit hídrico, indicador da disponibilidade de água que considera o aumento da perda de água para a atmosfera em condições mais quentes. Foram aplicadas duas abordagens: uma baseada na mudança média e outra concentrada nos períodos fora do padrão.

“Estamos mais interessados nos fenômenos ocorridos quando as condições climáticas são mais quentes e secas”, explicou Jos Barlow, da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, principal autor do estudo. Segundo ele, esses momentos podem provocar os danos mais intensos.

Nathália Carvalho, pesquisadora de pós-doutorado no Lancaster Environment Centre, também na Inglaterra, afirmou que o clima amazônico não muda de maneira uniforme. Para ela, a diferença entre as áreas atingidas pelos extremos e aquelas onde a média se altera deve ser considerada no planejamento de ações de adaptação.

Efeitos sobre comunidades e ecossistemas

Calor intenso, falta de chuva e incêndios podem elevar a mortalidade de árvores e animais, além de afetar a saúde humana. A fauna já registra impactos, como a morte em massa de mamíferos, incluindo preguiças, e alterações no tamanho das populações de aves, na expectativa de vida, na aparência e no comportamento desses animais.

A fumaça das queimadas pode piorar a qualidade do ar. Na região de Manaus (AM), incêndios contribuíram para episódios de poluição atmosférica. A redução do nível dos rios também prejudica o transporte, o acesso a serviços e a rotina de populações que dependem da navegação.

Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), disse que os eventos extremos afetam os meios de subsistência locais e produtos como o açaí. As mudanças podem reduzir a proteção oferecida pela floresta, ameaçar a segurança alimentar e dificultar políticas de restauração florestal.

Possíveis próximos eventos

O estudo considera a possibilidade de que um El Niño de grande intensidade em 2026 provoque temperaturas elevadas e seca na Amazônia apenas dois anos depois da grande estiagem registrada em 2024.

Jos Barlow defendeu medidas de adaptação, prevenção do desmatamento, apoio ao combate aos incêndios e assistência às populações afetadas quando os rios usados para navegação secarem. Mike Barrett, consultor científico-chefe do WWF do Reino Unido e colaborador do projeto, afirmou que os resultados reforçam a necessidade de reduzir as emissões associadas ao aquecimento global.

Barrett também citou a ampliação da proteção florestal e do financiamento da conservação como formas de evitar que a Amazônia se aproxime de pontos de inflexão, quando mudanças ambientais profundas podem se tornar difíceis ou impossíveis de reverter.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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