Aloysio Nunes, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e das Relações Exteriores no governo de Michel Temer, avalia que a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, criou uma distração política favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
A crise no STF aumentou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens supostamente enviadas ao ministro Alexandre de Moraes pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O documento será analisado pela Corte na terça-feira 15. Na ocasião, os ministros devem decidir se haverá uma apuração oficial contra Moraes.
Para Nunes, Mendonça não poderia ter iniciado uma investigação sobre um colega sem autorização do Supremo e sem ouvir o procurador-geral. O relator sustenta que ainda não se trata de uma apuração formal. O relatório da PF, porém, foi produzido após uma ordem de Mendonça para identificar o interlocutor de Vorcaro.
Na avaliação do ex-ministro, a controvérsia deslocou a atenção de assuntos associados a Flávio Bolsonaro, como as acusações de rachadinha e milícia, sua atuação no tarifaço, a promessa de entregar terras raras aos Estados Unidos, Adriano da Nóbrega e uma loja de chocolates. “Não se fala mais de rachadinha, de milícia, do trabalho dele no tarifaço”, afirmou Nunes.
Nunes também disse que a exposição de Mendonça ajudou a manter Flávio fora do foco às vésperas da eleição. “É uma operação bem-sucedida de ocultamento”, declarou.
Pesquisas eleitorais recentes apontam empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio em uma eventual disputa de segundo turno. O próximo levantamento mencionado no cenário eleitoral será divulgado pelo Datafolha na sexta-feira 11.
As eleições de 2026 são apresentadas como um momento de disputa sobre o futuro democrático. O texto também afirma que forças conservadoras continuam influentes no Congresso e cita o avanço da extrema-direita e conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia como fatores de instabilidade global.








