A leitura antes de dormir pode contribuir para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, além de criar um momento de acolhimento e aproximação entre pais e filhos. A atividade também oferece uma alternativa de conexão em uma rotina marcada pelo uso frequente de telas.
Adalmir Vieira, coordenador do curso de Pedagogia da Faculdade Anhanguera, afirma que o contato regular com histórias estimula a linguagem, amplia o vocabulário e desperta a criatividade desde os primeiros anos de vida. “A leitura é uma ferramenta importante para o desenvolvimento infantil”, explica.
Linguagem, imaginação e emoções
Ao ouvir histórias, a criança conhece novas palavras, situações e formas de expressão. Esse contato favorece a comunicação e a compreensão verbal, além de exercitar a imaginação, a memória e a concentração.
As narrativas também podem apoiar o desenvolvimento emocional. Ao acompanhar personagens e os desafios enfrentados por eles, a criança entra em contato com sentimentos, empatia e maneiras de lidar com situações do cotidiano. Para Vieira, as histórias permitem explorar emoções e ampliar a compreensão sobre o mundo de forma segura e acolhedora.
A escolha dos livros deve considerar a idade e os interesses da criança. Para bebês, obras com imagens grandes, cores vibrantes e texturas podem despertar a curiosidade e estimular os sentidos. Na educação infantil, histórias curtas, com repetições e elementos lúdicos, ajudam a manter a atenção e incentivar a participação.
Para crianças maiores, narrativas mais elaboradas, aventuras e personagens marcantes podem manter o interesse e estimular a formação do hábito leitor. O especialista afirma que o mais importante é criar experiências positivas, sem a necessidade de buscar um livro perfeito.
Como criar o hábito
O período anterior ao sono tende a ser mais tranquilo e pode ajudar a criança a desacelerar depois das atividades do dia. A leitura funciona como um ritual associado ao descanso e abre espaço para conversas, perguntas e trocas afetivas.
Vieira recomenda começar com poucos minutos por dia, respeitar o interesse e a faixa etária da criança, manter os livros acessíveis e permitir que ela participe da escolha das histórias. A presença dos adultos também é importante: ao observar pais e responsáveis lendo, a criança pode perceber a atividade como natural e prazerosa.
“Não existe uma quantidade ideal de páginas ou de tempo. O principal é a constância”, afirma o coordenador. Mesmo períodos breves podem contribuir para a relação da criança com os livros e para a continuidade da leitura na rotina familiar.









