A inteligência artificial pode resumir textos, organizar informações, criar argumentos e sugerir soluções em poucos segundos. A mesma agilidade, porém, exige cuidado para que a facilidade de obter respostas não reduza a autonomia, a reflexão e a capacidade de questionar.
Uma pesquisa da Common Sense Media mostrou que 70% dos adolescentes consultados usam inteligência artificial em atividades escolares. Entre os usuários, quase dois terços disseram recorrer à tecnologia de maneiras que transferem parte do pensamento crítico para a ferramenta. O debate, por isso, também envolve profissionais, empresas e líderes.
Marcelo Gonçalves, professor especialista em inteligência artificial da DomEduc, afirma que a tecnologia deve liberar tempo de tarefas repetitivas para ampliar a capacidade humana de interpretar informações, fazer conexões, questionar respostas e tomar decisões.
Sete práticas para usar a IA com autonomia
A primeira recomendação é não tratar a resposta inicial como definitiva. Uma resposta bem estruturada pode transmitir segurança sem necessariamente ser precisa. É importante investigar a origem da informação, identificar o que pode estar faltando e considerar outras interpretações.
Também é recomendável usar a ferramenta para buscar contrapontos, e não apenas para confirmar opiniões já existentes. Questionar argumentos, pedir perspectivas diferentes e confrontar ideias ajuda a reduzir limitações e amplia a análise.
Antes de fazer uma pergunta à IA, a pessoa deve formular sua própria visão sobre o assunto. Experiências, opiniões e hipóteses podem ser organizadas ou desafiadas pela tecnologia, mas não devem ser substituídas por ela.
Outra prática é interpretar dados em vez de apenas consumi-los. A IA pode processar grandes volumes de informação e encontrar padrões, mas cabe à pessoa relacionar os dados ao contexto e transformá-los em decisões.
A verificação também é necessária. Respostas convincentes podem estar incompletas, conter vieses ou apresentar informações incorretas. Quanto maior o impacto do dado, mais importante é comparar referências e avaliar sua qualidade.
Os especialistas ainda recomendam preservar a voz própria. Um conteúdo tecnicamente correto pode não refletir a experiência, a interpretação ou a autoria de quem o apresenta. Perguntar se o texto representa de fato o pensamento da pessoa ajuda a manter essa identidade.
Por fim, é preciso reconhecer o que não deve ser delegado à inteligência artificial. Atividades podem ser automatizadas, mas decisões que envolvem responsabilidade, contexto, julgamento, estratégia e sensibilidade humana continuam dependendo das pessoas. Para Marcelo Gonçalves e Giuliana Tranquilini, a combinação entre eficiência tecnológica e discernimento é o caminho para usar a ferramenta sem abrir mão do pensamento crítico.









