Mundo

Mar de Aral perdeu até 88% da superfície após expansão da irrigação

Desvio de rios para plantações reduziu o lago da Ásia Central a áreas fragmentadas, com impactos na pesca e no clima regional.

Mar de Aral perdeu até 88% da superfície após expansão da irrigação

O Mar de Aral, entre os atuais Cazaquistão e Uzbequistão, perdeu quase toda a água depois que os rios Amu Darya e Syr Darya passaram a ser usados em grandes projetos de irrigação. Na primeira metade do século XX, o lago era o quarto maior do mundo em área e sustentava comunidades pesqueiras.

A mudança ganhou força a partir da década de 1960, durante a expansão soviética da agricultura irrigada. A água dos rios, que antes chegava ao lago, passou a abastecer principalmente plantações de algodão, além de arroz e outras culturas. Como a região é árida e sofre com evaporação intensa, a redução do fluxo provocou uma queda contínua no nível do Mar de Aral.

Fragmentação e perda de água

O Amu Darya alimentava sobretudo a parte sul do lago, enquanto o Syr Darya chegava ao setor norte. Os rios recebem água de neve e precipitação nas montanhas da Ásia Central, mas a irrigação retirou grande parte desse volume. Perdas em muitos canais aumentaram a quantidade necessária para manter as áreas agrícolas.

Com o recuo da água, ilhas foram ligadas ao continente e antigas margens ficaram distantes do novo litoral. Em 1989, imagens de satélite mostravam que as porções norte e sul estavam praticamente separadas. O corpo d’água acabou dividido em lagos menores, e portos e comunidades pesqueiras ficaram cercados por áreas secas.

Dados da NASA indicam que, desde 1960, o Mar de Aral chegou a perder cerca de 88% da superfície e 92% do volume. Outras estimativas apontaram que, em anos posteriores, restava aproximadamente um décimo da área original. A redução ocorreu de forma desigual: o norte preservou mais água, enquanto partes do sul secaram quase completamente. Em 2014, o lobo oriental do Aral Sul ficou totalmente seco.

Consequências para pesca e ambiente

A diminuição do volume elevou a salinidade e eliminou várias espécies de peixes em extensas áreas. Com isso, boa parte da pesca comercial entrou em colapso, e empregos ligados à atividade e ao processamento de pescado desapareceram. O lago também deixou de exercer da mesma forma seu papel de moderação do clima regional.

O leito descoberto deu origem ao deserto de Aralkum. A NASA estima que essa área tenha chegado a aproximadamente 62 mil quilômetros quadrados. Sal e sedimentos que permaneciam submersos passaram a ser carregados pelo vento.

Recuperação parcial no norte

Uma retomada completa das dimensões anteriores à década de 1960 é considerada muito difícil, porque os rios continuam importantes para a agricultura e o abastecimento regional. No entanto, o setor norte apresentou recuperação após a construção da barragem Kok-Aral, concluída em 2005.

A estrutura reteve água do Syr Darya no Aral Norte, contribuindo para a elevação do nível e a recuperação da pesca nessa área. O Aral Sul, porém, permaneceu em situação mais crítica. A diferença entre os setores mostra que o antigo lago deixou de funcionar como um único corpo d’água, com desafios próprios em cada bacia remanescente.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5