TASHKENT — A inteligência artificial pode ampliar o trabalho jornalístico, mas não substituir os profissionais, afirmou Sherzod Asadov, porta-voz de imprensa do presidente do Uzbequistão, durante um fórum internacional realizado em Tashkent. Para ele, mesmo com a evolução tecnológica, verdade, imparcialidade, consciência e interesses das pessoas devem continuar no centro da atividade.
Organizado pelo Centro de Civilização Islâmica do Uzbequistão, o encontro reuniu quase 300 jornalistas, pesquisadores, editores, cineastas e especialistas em tecnologia de cerca de 50 países. Os participantes discutiram a representação da história e do patrimônio das sociedades islâmicas, a independência dos meios de comunicação, o combate a estereótipos e o uso de novas ferramentas para aproximar fontes históricas de diferentes públicos.
Jornalismo e representação
Firdavs Abdukhalikov, diretor do centro, defendeu que percepções equivocadas sobre o Islã sejam enfrentadas com conhecimento e explicação. “A resposta mais eficaz à islamofobia é o esclarecimento”, afirmou. Ele também pediu uma apresentação mais ampla da história científica e cultural das sociedades islâmicas, baseada em pesquisa e evidências.
Hasanbey Kondu, responsável pela editora turca Mega Basım, disse que a responsabilidade pelas distorções não deve ser atribuída apenas à Europa ou ao Ocidente moderno. Na avaliação dele, os próprios muçulmanos precisam examinar como compreendem e apresentam o Islã.
Asadov afirmou que jornalistas estrangeiros deveriam visitar o país, conversar com a população, fazer perguntas e tirar suas próprias conclusões, sem a obrigação de produzir uma visão positiva do Uzbequistão. O diretor executivo da Euronews, Claus Strunz, também defendeu a presença de repórteres no local para que o público possa formar suas próprias opiniões.
Europa, Ásia Central e memória histórica
Strunz afirmou que a Ásia Central ficou por muito tempo quase ausente do debate público europeu, aparecendo principalmente em notícias sobre catástrofes ou em relatos romantizados sobre a Rota da Seda. Em abril de 2025, a primeira cúpula UE-Ásia Central, realizada em Samarcanda, elevou a relação entre as duas regiões a uma parceria estratégica.
O investigador italiano Mario Taddei apresentou a ideia de uma “Rota da Seda do Conhecimento”, relacionada à circulação de ideias científicas da China, pelo Oriente Médio, até a Europa do Renascimento. Ele citou os engenheiros medievais Al-Muradi e Al-Jazari como parte dessa trajetória de intercâmbio.
A editora Charlotte Kramer abordou o relato da viagem de Ruy González de Clavijo, enviado pelo rei Henrique III de Castela à corte de Timur, que chegou a Samarcanda em 1404. O documento serviu de base para um projeto editorial apresentado no fórum.
As atividades também mostraram livros, documentários, avatares digitais e plataformas imersivas voltados à divulgação de personagens e fontes históricas. O gestor húngaro de mídia Alpar Kato resumiu a proposta como a combinação de recursos modernos com histórias antigas.
Os organizadores relacionaram o fórum a um discurso feito em 2017 pelo presidente Shavkat Mirziyoyev na Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, ele rejeitou associações entre o Islã e a violência e propôs uma resolução sobre “Esclarecimento e Tolerância Religiosa”, aprovada no ano seguinte.








