NOVA DÉLHI — Narendra Modi e Xi Jinping afirmaram, durante a cúpula dos Brics, que pretendem buscar uma solução negociada para as divergências territoriais entre Índia e China. O encontro marcou a continuidade da reaproximação iniciada após anos de tensão na fronteira do Himalaia.
Segundo a diplomacia indiana, os dois líderes concordaram em trabalhar por uma solução “honesta, razoável e mutuamente aceitável” para a questão fronteiriça. A aproximação ocorre seis anos depois dos confrontos mortais entre soldados dos dois países na região disputada. Índia e China retomaram o diálogo e ampliaram a cooperação econômica, mas a desconfiança histórica entre os dois países permanece.
Declaração sobre o Oriente Médio
Outro resultado da reunião foi a aprovação, no sábado (12), de uma declaração conjunta sobre a guerra no Oriente Médio. O documento pede que todas as partes envolvidas exerçam “máxima contenção” e registra “profunda preocupação” com a escalada das tensões na região.
Essa foi a primeira posição comum dos Brics sobre o conflito desde a intensificação das hostilidades. O tema havia exposto divisões entre os integrantes do bloco. Rússia e China mantiveram relações comerciais com o Irã apesar das pressões de Washington, enquanto os Emirados Árabes Unidos suspenderam parte de suas relações econômicas com Teerã após ataques iranianos.
Em maio, os ministros das Relações Exteriores dos Brics não conseguiram aprovar um comunicado conjunto. O consenso alcançado em Nova Délhi ocorreu no encerramento de dois dias de reuniões, neste domingo (13).
Comércio e expansão do bloco
No último dia, os chefes de Estado e de governo discutiram os desafios da economia mundial, a cooperação entre países emergentes e a manutenção de um sistema de comércio baseado em regras e centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Narendra Modi afirmou que os integrantes do grupo respondem por cerca de 40% da riqueza produzida no planeta e defendeu um crescimento global mais inclusivo. Para o primeiro-ministro indiano, os Brics representam um “ecossistema de soluções” para os desafios contemporâneos.
Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco recebeu a África do Sul no ano seguinte. Nos últimos anos, também incorporou novos integrantes, entre eles Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O presidente chinês Xi Jinping condenou o protecionismo e reafirmou seu apoio ao multilateralismo econômico. A posição foi interpretada como referência indireta à política tarifária adotada pelo presidente americano Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Vladimir Putin disse que os Brics se tornaram uma das principais forças do cenário internacional e contribuem para uma ordem mundial “mais justa e multipolar”. Ao fim do encontro, Modi declarou esperar que a Declaração de Nova Délhi ofereça uma direção para a visão compartilhada e a cooperação futura do grupo.








