NOVA DÉLHI — Os países dos Brics pediram “cautela máxima” às partes envolvidas no conflito no Oriente Médio e defenderam que sejam evitadas ações capazes de agravar a guerra. A declaração conjunta foi divulgada neste sábado (12), na abertura de um encontro de dois dias na capital indiana.
O documento representa a primeira convergência do bloco sobre o conflito desde o início da guerra em fevereiro. Em maio, os ministros das Relações Exteriores não haviam conseguido aprovar uma posição comum. O Brasil participa da cúpula com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No mesmo dia, o presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que os Brics atuem como mediadores no Oriente Médio. Para Xi, a guerra “não serve aos interesses comuns da comunidade internacional”. Ele também afirmou que a China trabalhará com os demais integrantes do grupo em iniciativas de estabilização e diálogo.
A reunião reúne os onze países do bloco, entre eles Índia, China, Rússia, Irã e Emirados Árabes Unidos. O conflito provocou impactos econômicos globais e tensões diplomáticas entre países do Golfo. O bloqueio do estreito de Ormuz, imposto pelo Irã após os bombardeios de fevereiro, continua afetando o mercado mundial de petróleo. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo local.
Tensões entre integrantes
China e Rússia mantêm comércio com o Irã, apesar das ameaças de sanções feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os Emirados Árabes Unidos suspenderam em agosto suas transações comerciais e financeiras com Teerã depois de serem atingidos por mísseis iranianos.
À margem do encontro, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian conversou com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled ben Mohamed ben Zayed Al Nahyane. Os dois defenderam esforços de desescalada e a retomada da estabilidade regional. Pezeshkian disse que o Oriente Médio “não precisa de polícia”, em referência aos Estados Unidos, e afirmou que a segurança deve ser garantida pelos países da própria região.
A declaração dos Brics não mencionou a guerra na Ucrânia, que divide o grupo desde 2022. Na área econômica, os integrantes reafirmaram apoio a um sistema comercial multilateral baseado em regras e destacaram a Organização Mundial do Comércio. Xi pediu a rejeição de todas as formas de protecionismo.
Aproximação entre Índia e China
A presença de Xi em Nova Délhi foi sua primeira visita à Índia em sete anos. O presidente chinês e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, discutiram questões fronteiriças e afirmaram que pretendem resolvê-las de forma honesta e razoável.
O confronto militar de 2020 na fronteira do Himalaia deixou 20 soldados indianos e quatro chineses mortos. As relações entre os dois países também são marcadas pela guerra de 1962 e por disputas territoriais persistentes.
Xi afirmou que Índia e China podem “complementar suas forças, se apoiar e avançar juntas”. Modi disse que o relacionamento deve ser orientado por respeito, sensibilidade e interesse mútuo. A China assumirá a presidência dos Brics no próximo ano e sediará o 19º encontro do grupo.
Criado em 2009, o bloco reúne grandes economias emergentes. Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo incorporou Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Segundo Modi, os países representam metade da população mundial, 40% do PIB global e mais de um quarto do comércio internacional.








