O Fundo Monetário Internacional (FMI) desistiu de nomear o economista português Ricardo Reis como economista-chefe após revisar declarações dele contra as tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Reis, professor da London School of Economics (LSE), era o favorito para assumir o departamento de pesquisa e atuar como conselheiro econômico do fundo. A escolha já estava prestes a ser oficializada, mas foi abandonada de última hora, conforme três fontes ouvidas na apuração citada pelo FMI.
Mudança na escolha
Após o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação”, em abril de 2025, Reis afirmou que as medidas poderiam elevar os preços para os consumidores americanos e provocar nova pressão inflacionária. Em julho, o cargo foi destinado a Silvana Tenreyro, ex-integrante do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra e também professora da LSE. Ela tomou posse em agosto.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, é formalmente responsável pelas indicações para os postos de comando da instituição. Os Estados Unidos, porém, são os maiores acionistas do fundo e exercem influência informal sobre essas escolhas.
A substituição de Reis provocou preocupação entre pessoas próximas ao processo, que temiam a escolha de alguém alinhado ao governo Trump. Esse receio diminuiu após a nomeação de Tenreyro.
O caso ocorre em meio a outros episódios envolvendo economistas que criticaram a política tarifária americana. No ano passado, Trump pediu ao presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, que demitisse o economista-chefe do banco, Jan Hatzius. O pedido ocorreu depois de Hatzius declarar que as tarifas prejudicariam a economia dos Estados Unidos.








