SAXÔNIA-ANHALT — O governo alemão classificou como possível interferência externa a manifestação de Donald Trump sobre o resultado eleitoral na Saxônia-Anhalt. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), classificado por autoridades de inteligência alemãs como organização de extrema direita, venceu a votação com 43,8% dos votos.
Horas depois da publicação de Trump nas redes sociais, o chanceler Friedrich Merz adiou uma conversa telefônica prevista para esta quarta-feira, 9. O contato trataria dos 25 anos dos atentados de 11 de setembro. O porta-voz do governo federal, Stefan Kornelius, não confirmou que a declaração do presidente americano tenha provocado o adiamento.
Reação do governo alemão
Trump relacionou o desempenho da AfD ao descontentamento popular com as regras migratórias na Alemanha e usou a expressão “MGGA”, uma variação de seu slogan de campanha nos Estados Unidos.
Merz já havia afirmado, em julho, que a Alemanha “não interfere em eleições americanas” e que não deseja que o governo americano ou instituições ligadas a ele interfiram nas eleições alemãs. Em nota lida por Kornelius, o chanceler declarou que o país continua disposto a “defender os valores que nos definem e nos unem”, citando a liberdade, a democracia e o respeito.
O resultado também representou um revés para a União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz. A legenda ficou em segundo lugar, com 17,2% dos votos. Após uma reunião com dirigentes partidários, o chanceler disse estar profundamente chocado com a derrota e reconheceu que sua baixa popularidade teve peso na campanha.
No Parlamento, Dirk Wiese, secretário parlamentar do Partido Social-Democrata (SPD), cobrou uma reação mais firme do Executivo às declarações de Trump. “Essa interferência não é aceitável”, afirmou.
Em janeiro de 2025, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, já havia manifestado apoio à plataforma da AfD durante uma conferência de segurança em Munique.








