SÃO PAULO — O pastor Silas Malafaia afirmou nesta quinta-feira, 10, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) responde de forma inadequada aos questionamentos sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Malafaia disse, porém, que Flávio não é responsável pela administração dos recursos.
“Acho que Flávio responde isso errado. Eu pedi dinheiro, mas não administrei”, afirmou Malafaia. O pastor também associou a Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a uma motivação política.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou a operação para investigar um suposto desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas à produção do filme por meio de termo de fomento. Karina Gama e Mario Frias estão entre os alvos da ação.
Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal. A PF informou investigar uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar valores para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação dos serviços contratados.
A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Segundo a PF, as tentativas de dissimular os desvios teriam continuado até julho deste ano. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas.
Transferências para a produtora
A PF identificou uma transferência de R$ 1.000.000,00 feita pelo publicitário Marcello Lopes, ex-responsável pela comunicação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, para a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. Lopes, amigo do senador, deixou a comunicação da campanha em maio e foi substituído por Eduardo Fischer.
O repasse integra movimentações consideradas atípicas de R$ 19.033.071,00 nas contas da produtora, apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O período analisado vai de 10/11/2025 a 30/12/2025. Nesse intervalo, a empresa registrou R$ 8.955.158,00 em créditos e R$ 10.077.913,00 em débitos.
Entre os remetentes também aparecem a Moneycorp Banco de Câmbio S.A., com R$ 3.920.976,40; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, com R$ 2.614.000,00; a NTT Brasil Ltda., com R$ 750.000,00; e Mario Frias, com R$ 645.400,00.
A PF informou ainda que o filme, cuja produção executiva é atribuída a Mario Frias, foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. A corporação apontou coincidência entre esse período e as movimentações financeiras analisadas, que incluíram despesas com hospedagem, refeições e produtoras.








