Ciência

Tardígrados reduzem a atividade para resistir a extremos ambientais

Animais microscópicos entram em criptobiose e podem tolerar desidratação, congelamento e exposição experimental ao vácuo espacial.

Tardígrados são animais microscópicos de oito pernas capazes de reduzir drasticamente sua atividade metabólica quando enfrentam condições ambientais extremas. Dependendo da espécie, do estado fisiológico e do tempo de exposição, eles podem tolerar desidratação intensa, congelamento, radiação e até o vácuo espacial.

Esses animais pertencem ao filo Tardigrada e vivem em filmes de água presentes em musgos, líquens, solos úmidos, sedimentos e ambientes aquáticos. A maioria mede frações de milímetro, embora algumas espécies ultrapassem 1 milímetro. Apesar do tamanho reduzido, possuem sistema digestório, músculos e sistema nervoso.

A sobrevivência sem água

Uma das principais estratégias dos tardígrados é a anidrobiose, uma forma de criptobiose provocada pela perda extrema de água. Nessa condição, o animal retrai as pernas e assume uma forma compacta conhecida como “tun”. O metabolismo cai intensamente, enquanto moléculas e proteínas ajudam a proteger as membranas e outras estruturas celulares.

Quando a água volta, alguns tardígrados conseguem se reidratar e recuperar a atividade. A resistência varia entre as espécies e conforme as condições do experimento. Há registros de indivíduos que suportaram anos de dessecação antes de retornar ao estado ativo.

Frio e exposição ao espaço

Algumas espécies também entram em estados de criptobiose associados ao frio e toleram congelamento intenso. A resistência depende de fatores como a velocidade do resfriamento, a duração da exposição, a disponibilidade de água e a espécie analisada. Durante esse período, o animal não permanece ativo: reduz suas funções fisiológicas para suportar condições incompatíveis com a vida normal.

A capacidade de resistir ao ambiente espacial foi testada em setembro de 2007, no experimento TARDIS, realizado durante a missão Foton-M3. Aproximadamente 3.000 tardígrados ficaram 12 dias em órbita terrestre baixa. Grupos foram expostos ao vácuo espacial e, em alguns tratamentos, à radiação solar sem a proteção habitual da atmosfera terrestre.

Os pesquisadores observaram alta sobrevivência ao vácuo. Alguns indivíduos também se recuperaram após a combinação de vácuo e radiação solar. A exposição, no entanto, foi experimental e limitada, e não demonstra que os animais possam permanecer indefinidamente no espaço.

Limites e pesquisas

A resistência dos tardígrados não é universal. Eles podem morrer quando os limites específicos de calor, radiação, pressão, desidratação ou congelamento são ultrapassados. Além disso, resultados obtidos em laboratório não representam necessariamente as condições encontradas na natureza.

A NASA estuda esses animais para investigar como suas células respondem à desidratação, à radiação e a outros tipos de estresse. Em 2021, o experimento Cell Science-04 levou tardígrados à Estação Espacial Internacional para analisar alterações moleculares relacionadas à adaptação ao ambiente espacial.

O objetivo é compreender como proteínas, membranas e DNA podem ser protegidos em situações extremas. Os estudos não indicam que humanos possam adquirir a resistência dos tardígrados, mas usam esses animais como modelo para investigar mecanismos naturais de proteção celular.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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