Encélado, uma lua de Saturno com apenas cerca de 500 quilômetros de diâmetro, libera continuamente vapor de água e partículas de gelo por fraturas próximas ao polo sul. Parte desse material escapa da gravidade do satélite e abastece o anel E, uma faixa difusa formada principalmente por pequenas partículas de gelo.
A sonda Cassini atravessou as plumas e analisou diretamente gases e partículas expelidos por Encélado. Os dados indicaram a presença de água, sais, sílica, metano, dióxido de carbono, amônia e compostos orgânicos. As observações também associaram os jatos a um oceano subterrâneo global.
Jatos ligados às forças de Saturno
As fraturas do polo sul, conhecidas informalmente como “listras de tigre”, são relativamente quentes. Por essas rachaduras, materiais do interior da lua são lançados a centenas de quilômetros acima da superfície. A atividade não ocorre de forma ocasional: é persistente e sofre influência das forças de maré exercidas por Saturno.
Parte das partículas retorna a Encélado, enquanto outra parcela alcança velocidade suficiente para escapar. A NASA estima que os grãos possam ser ejetados a cerca de 400 metros por segundo. Depois, o material se espalha pela órbita e passa a integrar o anel E.
Evidências de um oceano global
As primeiras observações apontaram para a existência de água líquida sob o polo sul. Medições posteriores da Cassini detectaram uma pequena oscilação no movimento de Encélado durante sua órbita, chamada libração. Esse comportamento não seria compatível com uma crosta de gelo rigidamente ligada ao núcleo rochoso.
A interpretação considerada mais consistente é a de que uma camada global de água líquida separa a crosta congelada do interior sólido. O oceano, portanto, não estaria restrito à região das fraturas, mas envolveria praticamente todo o interior da lua.
Sais, sílica e atividade hidrotermal
Em 2009, a Cassini detectou sais de sódio em partículas de gelo do anel E. O resultado reforçou a hipótese de que os jatos têm origem em água salgada localizada sob a superfície. Os sais também indicam contato prolongado entre a água líquida e material rochoso.
Os nanogrãos de sílica são compatíveis com a interação entre água líquida e rocha quente. Para a NASA, essas partículas apontam para atividade hidrotermal no interior de Encélado. A combinação de água, energia e compostos químicos torna a lua um alvo relevante na busca por ambientes potencialmente habitáveis. Nenhuma evidência de vida foi encontrada.
A missão Cassini operou no sistema de Saturno entre 2004 e 2017. O primeiro grande reconhecimento dos jatos ocorreu em 2005, e os encontros seguintes permitiram relacionar as plumas ao oceano subterrâneo e ao anel E.
A característica mais importante para a exploração é que Encélado lança amostras de seu oceano para o espaço. Assim, a Cassini conseguiu obter informações sobre o material oceânico sem precisar perfurar a crosta de gelo.








