O Canadá lançou um programa para contratar pesquisadores internacionais em meio à redução de recursos e às restrições acadêmicas nos Estados Unidos. A iniciativa prevê investimentos de 1,7 bilhão de dólares canadenses (R$ 6,2 bilhões) ao longo de 12 anos.
A epidemiologista Sheryl Magzamen, ex-pesquisadora da Universidade do Colorado, começou um novo período acadêmico na Universidade de Montreal. Ela deixou os Estados Unidos com o marido e os filhos e está aprendendo francês para se integrar ao novo ambiente. Outros 47 cientistas já se mudaram ou devem se mudar em breve para o Canadá.
Magzamen afirma que perdeu várias bolsas destinadas a pesquisas sobre saúde e mudança climática desde a volta de Donald Trump ao poder, em janeiro de 2025. Ela também relata cansaço com as restrições de financiamento e avalia que “não temos mais a liberdade acadêmica que tínhamos”.
A ministra da Indústria, Mélanie Joly, responsável pelo programa, afirmou no final de agosto que o Canadá pretende ampliar os investimentos em ciência diante da redução de orçamentos de pesquisa em outros países. As universidades canadenses também prometem preservar a autonomia acadêmica dos pesquisadores.
Pesquisadores de diferentes áreas
Phillip Zamore, professor de biologia molecular, deixará a Universidade de Massachusetts em abril de 2027 para trabalhar na Universidade McGill, em Montreal. Ele terá um orçamento equivalente a mais de um milhão de dólares americanos (mais de R$ 5 milhões) e afirma que o ambiente para a ciência nos Estados Unidos se tornou hostil.
Sophie D’Amours, reitora da Universidade Laval, em Quebec, disse que a instituição contratou 15 pesquisadores dos Estados Unidos desde o retorno de Trump à Casa Branca. Segundo ela, há controle estatal sobre a ciência e deterioração do conhecimento.
França, Reino Unido e União Europeia também criaram iniciativas para atrair pesquisadores americanos. A União Europeia destinou cerca de 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões) para o período 2025-2027. A França informou, em maio, ter selecionado 60 pesquisadores, principalmente residentes dos Estados Unidos.
Os cientistas são procurados para áreas como inteligência artificial, medicina e setor aeroespacial. Uma pesquisa publicada em março de 2025 pela revista Nature indicou que 75% dos cientistas americanos cogitavam deixar o país.
Zamore afirma ainda que estudantes internacionais estão escolhendo outros destinos. Nas últimas semanas, ele não recebeu candidaturas para vagas de pós-doutorado em seu departamento na Universidade de Massachusetts, embora antes recebesse entre uma a duas por semana.








