O Canadá vai ampliar os esforços para diminuir sua dependência econômica dos Estados Unidos, anunciou o primeiro-ministro Mark Carney. A decisão ocorre após a imposição de barreiras tarifárias por Washington e declarações do presidente americano Donald Trump sobre uma possível anexação do território canadense.
Carney afirmou que a estratégia pretende evitar que qualquer país tenha capacidade de pressionar o Canadá. Em declaração nesta terça-feira, ele resumiu a posição do governo: “Trata-se de garantir que nenhum país possa nos manter reféns, e que possamos viver como queremos viver”.
Relação comercial sob pressão
Os Estados Unidos receberam cerca de 68% das exportações canadenses em 2026. Aproximadamente 80% desses carregamentos entraram no mercado americano sem tarifas, benefício previsto no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
O aumento das tensões diplomáticas levantou dúvidas sobre a continuidade do pacto firmado entre Canadá, Estados Unidos e México. A dependência do mercado americano passou, assim, a ser reavaliada pelo governo canadense.
Além das medidas comerciais, Trump voltou a mencionar o Canadá como um possível 51º estado americano. Ele também determinou a mudança do nome do Lago Ontário para Lago América. As iniciativas geraram desconforto entre autoridades e parte da população do Canadá.
Aproximação com a União Europeia
A utilização de tarifas pelos Estados Unidos como instrumento de negociação é acompanhada por outros governos. A prática envolve a possibilidade de reduzir taxas em troca de acesso a mercados, compromissos de investimento ou alinhamento com políticas de Washington.
Nesse contexto, o Canadá começou a buscar relações mais estreitas com a União Europeia. Carney deve viajar a Estrasburgo, na França, na semana seguinte, com previsão de fazer um discurso no Parlamento Europeu.
A agenda representa a procura por alternativas comerciais fora do eixo americano enquanto permanecem indefinidos os rumos do USMCA.








