A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) orientou a transferência de recursos do filme “Dark Horse” para os Estados Unidos. A produção retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A acusação consta de parecer assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, que embasou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento investiga o financiamento transnacional da obra e foi instaurado após solicitação da Polícia Federal e manifestação favorável da PGR.
A investigação teve acesso a uma captura de tela atribuída a Eduardo Bolsonaro, com instruções sobre como enviar valores ao exterior. A PGR não informa quem seria o destinatário direto da mensagem. No diálogo, o ex-deputado recomenda o envio do maior volume possível pelo sistema já utilizado e sugere deixar um operador disponível para reuniões.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, diz um trecho da mensagem. Segundo o parecer, as remessas deveriam ocorrer aos poucos caso a empresa brasileira não tivesse o orçamento mencionado como referência, o que poderia levar cerca de 6 meses.
A manifestação, datada de julho de 2026, afirma que coincidências entre valores previstos em contrato e remessas internacionais, somadas a comunicações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, indicam que empresas podem ter sido usadas para operacionalizar aportes ilícitos destinados ao filme.
Altieris Santana, citado na conversa, é identificado como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimentos com sede no Texas. A instituição teria administrado os valores e repassado os recursos à produtora Go Up Entertainment.
Investigação sobre o financiamento
A atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) no financiamento de “Dark Horse” é investigada em procedimento determinado por André Mendonça. As apurações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes.
Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que Flávio teria procurado Vorcaro para obter cerca de 130 milhões de reais para a produção. Planilhas apreendidas apontam que aproximadamente 60 milhões de reais teriam sido repassados.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que os recursos destinados ao filme tiveram origem privada.








