A Polícia Federal identificou mensagens que indicam contato direto entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre pagamentos, encontros e o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e analisadas pela investigação. Em documento encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que Flávio não aparece apenas como uma pessoa citada em conversas de terceiros, mas como interlocutor direto nas tratativas relacionadas à produção.
Os registros começam em agosto de 2025. Em 20 de agosto, uma conversa indica que Flávio e Vorcaro tinham um encontro presencial marcado. O senador informou ao banqueiro que estava “a caminho”.
Em 8 de setembro, Flávio voltou a procurar Vorcaro e, segundo os investigadores, enviou um áudio cobrando pagamentos do filme. Na mensagem, demonstrou preocupação com compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e disse que tentaria resolver a situação.
Em 22 de outubro, houve uma nova cobrança. De acordo com a PF, Flávio informou que as gravações estavam no terceiro dia e que a produção estava “no limite”. O senador pediu que Vorcaro avisasse caso não conseguisse fazer o aporte, para que outra alternativa de financiamento pudesse ser buscada.
Investigação sobre o financiamento
A participação de Flávio no financiamento de Dark Horse é investigada por determinação de André Mendonça. O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes.
A investigação foi aberta em julho, depois de um pedido da Polícia Federal e de manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Documentos apreendidos indicam que Flávio teria procurado Vorcaro em busca de cerca de 130 milhões de reais para financiar a produção. Planilhas analisadas pelos investigadores apontam que aproximadamente 60 milhões de reais teriam sido repassados.
A Polícia Federal registrou que as mensagens mostram Flávio cobrando pagamentos e acompanhando o andamento das gravações. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que os recursos destinados ao filme tiveram origem privada.








