Luzerna, no Meio-Oeste de Santa Catarina, alcançou a primeira posição estadual no Índice de Progresso Social de 2026 e ficou entre os dez municípios mais bem avaliados do país. Com pouco menos de 6 mil habitantes, a cidade recebeu nota 71,10 em uma escala de zero a cem e ocupou o 9º lugar entre os 5.570 municípios analisados.
O resultado colocou Luzerna à frente de Florianópolis, Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú. O município foi o único de Santa Catarina no grupo dos dez primeiros colocados. No levantamento estadual, Santa Catarina apareceu como o terceiro melhor estado do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo. A média catarinense também ficou acima da nacional, e 131 cidades do estado superaram a média brasileira.
Como o índice avalia os municípios
O IPS Brasil não considera apenas a riqueza local. A avaliação reúne 57 indicadores sociais e ambientais distribuídos em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. A proposta é verificar se os serviços alcançam a população.
De acordo com a Prefeitura de Luzerna, a administração própria em um território pequeno permitiu concentrar investimentos em uma quantidade limitada de serviços e acompanhar os resultados. Antes da emancipação, o município era distrito de Joaçaba por quase cinco décadas.
A criação de Luzerna como município ocorreu pela lei estadual nº 10.050, de 29 de dezembro de 1995. A primeira eleição para prefeito foi realizada no ano seguinte, e a estrutura administrativa própria começou a funcionar em 1997. Em 1980, a cidade tinha pouco mais de 5,2 mil moradores. Nos anos 2000, a população estava em cerca de 5,5 mil.
Origem e características da cidade
A história local começou com o alemão Henrique Hacker, engenheiro eletrotécnico que passou pelo Vale do Rio do Peixe em 1915. Encantado com a paisagem vista da janela do trem, ele comprou uma área de 40 mil hectares e iniciou uma colonização particular.
A ferrovia havia sido concluída em 1910. A partir dela, surgiu a Colônia Bom Retiro, que começou a vender seus primeiros lotes em março de 1916. O projeto tinha inicialmente perfil germânico, mas também recebeu descendentes de italianos. Os primeiros colonos vieram do Rio Grande do Sul, de cidades como São Leopoldo, Montenegro e Passo Fundo.
Luzerna ocupa 116,74 km² no Vale do Rio do Peixe, a 511 metros de altitude, e faz divisa com Joaçaba. O acesso é feito por rodovias do Meio-Oeste catarinense, que conectam a região a Chapecó e ao litoral. Quem viaja de avião pode utilizar os aeroportos regionais mais próximos e concluir o percurso de carro.
Patrimônio e natureza
Entre os pontos de visitação está o Museu Frei Miguel, instalado no Centro de Eventos São João Batista. O espaço reúne mais de 300 peças, incluindo insetos, animais empalhados, madeiras e pedras coletadas em três estados.
O Rio Estreito tem 32 espécies de peixes registradas, entre elas um lambari conhecido anteriormente apenas na Argentina. A Paróquia São João Batista é o principal marco arquitetônico do centro e está ligada à origem religiosa da colônia.
A cidade também registra mais de 130 espécies de aves e 33 tipos de orquídeas e bromélias. A combinação de serviços públicos em uma população estável, patrimônio histórico e áreas naturais ajudou Luzerna a se destacar no ranking nacional de qualidade de vida.








