Política

Sigilos do caso Master expõem investigação sobre Flávio e ampliam tensão no STF

Documentos tornados públicos por André Mendonça mostram apurações sobre Flávio Bolsonaro e provocam novas críticas entre ministros do Supremo.

Sigilos do caso Master expõem investigação sobre Flávio e ampliam tensão no STF

A divulgação de documentos do caso Banco Master ampliou o conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de uma determinação de Edson Fachin, André Mendonça retirou o sigilo de procedimentos relacionados às investigações, mas manteve parte do material reservado para não prejudicar as próximas etapas da apuração.

Na quinta-feira (10), Mendonça publicou a íntegra de 14 procedimentos, além do inquérito principal. Na sexta (11), após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e prazo de 24 horas fixado por Fachin, tornou públicos 38 procedimentos. Ainda não se sabe quantos inquéritos existem ao todo no caso.

Flávio Bolsonaro aparece como investigado

Os documentos confirmaram que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, é investigado pela Polícia Federal por sua atuação nas negociações para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A PF aponta Flávio como interlocutor direto de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Master, e registra reiteradas cobranças para que ele investisse na produção.

A investigação apura possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados. Segundo os documentos, Flávio negociou com Vorcaro o financiamento de pelo menos US$ 24 milhões. Desse total, ao menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. A PF também apura se parte dos recursos foi usada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

As mensagens analisadas pelos investigadores indicam ainda que Eduardo dava orientações sobre como os recursos poderiam ser administrados no país. A gestão seria feita por meio do fundo Havengate, ligado ao advogado Paulo Calixto.

Flávio defendeu a divulgação integral da investigação e afirmou: “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto.” Ele também disse que os documentos confirmariam sua afirmação de que não havia irregularidades relacionadas ao filme.

Ministros trocam críticas

A retirada parcial do sigilo gerou cobranças de ministros do STF. Alexandre de Moraes acusou Mendonça de escolher de forma subjetiva o que seria divulgado e afirmou que o colega, por estar diretamente interessado no julgamento, manteve a confidencialidade de ao menos 180 documentos.

Entre os materiais publicados está o contrato firmado entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. A divulgação ocorreu em meio à crise entre os dois ministros. Mensagens do celular de Vorcaro mostraram que Moraes manteve contato com ele até o dia de sua prisão e foi questionado sobre o andamento da investigação e uma possível fuga do país.

Moraes pediu uma investigação contra Mendonça. Fachin interveio e determinou a retirada do sigilo dos processos, com exceção de informações que pudessem comprometer as apurações policiais. Cristiano Zanin pediu acesso ao conteúdo bruto do celular de Vorcaro, mas teve a solicitação rejeitada por Mendonça e depois reiterou o pedido.

Uma sessão do plenário do Supremo está marcada para terça-feira (15) para analisar o caso das conversas entre Moraes e Vorcaro. Há pressão para ampliar a pauta. Gilmar Mendes pediu que Fachin também assuma a investigação contra Mendonça e sugeriu o adiamento do julgamento.

Apurações sobre o Banco Central

Os documentos também detalham a atuação de Vorcaro junto a servidores do Banco Central. A PF afirma que ele custeou viagens e jantares internacionais para dois servidores acusados de atuar em favor do Master. Entre os casos está a viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana e da esposa a Paris.

A defesa de Belline não respondeu. Em manifestações anteriores, negou que o ex-banqueiro tivesse influência sobre sua atuação.

A PF afirma ainda que Vorcaro chamava o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza de “um anjo da vida” e pagou uma viagem dele com a família para a Disney, nos Estados Unidos. Em outra situação, Vorcaro teria pedido que Paulo Sérgio tentasse impedir mudanças em regras sobre investimentos de fundos de previdência que afetariam o Master.

A defesa de Paulo Sérgio disse que ele pagou integralmente as despesas da viagem e que a PF interpretou de forma equivocada sua atuação de supervisão como um serviço informal de consultoria.

A Polícia Federal também aponta que Vorcaro soube antecipadamente que seria alvo da operação que levou à sua prisão, em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Para os investigadores, mensagens, anotações e movimentações encontradas no celular indicam que informações sigilosas chegaram ao ex-banqueiro nas semanas anteriores à ação.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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