SÃO PAULO — Documentos da Polícia Federal (PF) liberados após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o caso Master indicam que o senador Flávio Bolsonaro atuava diretamente nas negociações de repasses para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material foi tornado público no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Flávio tratava dos valores com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o deputado Eduardo Bolsonaro administrava os recursos nos Estados Unidos. As negociações envolveriam ao menos US$ 24 milhões — cerca de R$ 122 milhões —, enviados em parcelas ao fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou a abertura de inquérito para investigar a participação de Flávio no financiamento da produção. A apuração começou em julho, depois de um pedido da PF, que suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.
Mensagens e pagamentos
A representação encaminhada pela PF afirma que Flávio fez cobranças relacionadas aos pagamentos do filme e participou de reuniões presenciais com Vorcaro. Um áudio no qual chama o ex-banqueiro de “irmão” teria sido enviado na véspera da prisão dele, em 16 de novembro de 2025. Vorcaro foi detido no dia seguinte, quando tentava embarcar para Dubai.
As tratativas teriam começado em dezembro de 2024, após o publicitário Thiago Miranda procurar Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-RJ). Em janeiro de 2025, Vorcaro registrou que o pagamento do filme era “o mais importante disparado”.
O fundo Havengate havia sido criado para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões em 2020, mas, segundo a PF, não tinha propriedade registrada. O fundo recebeu a primeira remessa, de US$ 2.000.000,00, em 13/02/2025, enviada pela Entre Investimentos para financiar o filme, após permanecer inativo por quatro anos.
A Entre Investimentos pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado por Mendonça nessa semana.
Flávio Bolsonaro disse apoiar a investigação e defendeu a divulgação integral dos sigilos. O senador nega irregularidades no financiamento e afirma que os recursos tinham origem privada.








