O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça negou, em maio deste ano, um pedido da Polícia Federal, apoiado pela Procuradoria-Geral da República, para realizar novas buscas contra Cláudio Castro e pessoas próximas. A decisão aparece entre os documentos liberados por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, no caso envolvendo o Banco Master.
Mendonça afirmou que não havia elementos para uma “nova medida invasiva”, considerando que o ex-governador do Rio de Janeiro já havia sido alvo de uma operação. Os arquivos também registram contatos entre o ministro e Castro que, para a investigação, sugerem uma relação além da institucional.
Em uma das mensagens, Castro escreveu: “Amigo, preciso falar sobre o caso Cabral”. Mendonça respondeu que identificaria o processo e retornaria. Uma semana depois, o ministro votou pela soltura do ex-governador Sérgio Cabral.
Encontros e mensagens
Os registros indicam que Castro teve pelo menos oito encontros com Daniel Vorcaro ao longo de um ano. Vários ocorreram perto das datas em que o Rioprevidência fez aportes no Banco Master. Três reuniões foram realizadas em Nova York, incluindo ocasiões com degustação de charutos e bebidas.
Castro também participou de dois jantares oferecidos por Vorcaro no Nusr-Et Steakhouse. Em outro episódio, o banqueiro teria custeado um benefício de um milhão de reais na véspera de dois aportes do fundo de pensão do governo do Rio de Janeiro, de 80 e 70 milhões de reais.
Mensagens de WhatsApp mostram Vorcaro chamando Castro de “meu irmão” e convidando o então governador para uma feijoada. Castro respondeu que iria e pediu a confirmação do endereço. As conversas sugerem ainda um encontro fora da agenda oficial, em março de 2024, no Palácio Laranjeiras. Antes da reunião, Vorcaro disse que queria tratar de “quanto o fundo do Rio tem conosco”.
Aportes no Rioprevidência
De acordo com um relatório da Polícia Federal, Castro nomeou Deivis Marcon Antunes para a presidência do Rioprevidência entre julho e outubro de 2023. Depois, Antunes escolheu Euchério Rodrigues e Pedro Guerra Leal para as áreas de Investimentos do instituto.
No mesmo dia da nomeação, o Banco Master pediu credenciamento para receber recursos do Rioprevidência e foi aprovado. A PF sustenta que os três ocupantes dos cargos tinham poder de decisão sobre o credenciamento, a análise e a definição dos investimentos.
Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o instituto, responsável por administrar aposentadorias e pensões de funcionários do governo fluminense, fez nove aportes no banco. O total se aproximou de 3,7 bilhões de reais. Para a PF, as operações contrariaram a política de investimentos adotada pelo Rioprevidência e tiveram anuência direta de Castro.








