BRASÍLIA — A retirada do sigilo de investigações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelou que a Polícia Federal encontrou, na casa do senador Ciro Nogueira, um documento com nomes de parlamentares e números possivelmente associados a valores. O material estava na churrasqueira da residência, em Brasília, e foi localizado durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em maio e ligada ao caso Master.
A PF afirma que o papel tinha o título “Câmara”. Entre os nomes anotados, aparecem Arthur, possivelmente Arthur Lira; Hugo, identificado como Hugo Motta; Elmar, que pode ser Elmar Nascimento; Luizinho, possivelmente Doutor Luizinho; Adolfo, relacionado a Adolfo Viana; e Isnaldo, que pode corresponder a Isnaldo Bulhões. Outros nomes ainda não foram identificados. Para a polícia, os números escritos ao lado dos nomes podem indicar valores, mas o significado do registro ainda precisa ser esclarecido.
O rascunho estava entre documentos que Nogueira havia entregue à funcionária Débora para serem queimados. Ela informou à equipe policial que o senador disse se tratar de papéis antigos e sem utilidade. A queima não ocorreu por falta de tempo. A PF registrou que os itens apreendidos já haviam sido analisados, mas que o conteúdo seria incorporado ao processo no momento considerado adequado. O despacho não apresenta a conclusão dessa análise.
Outros itens apreendidos
Na mesma busca, os policiais relataram ter confirmado “os sinais de riqueza aparente do investigado”. Foram encontrados vinhos e uísques importados, bolsas de marcas internacionais de luxo e malas vazias, algumas com nomes de terceiros. Segundo a PF, as malas podem, em tese, ter sido usadas para movimentar, ocultar ou guardar valores ou patrimônio de forma não transparente. A hipótese ainda será aprofundada.
Na garagem, foram apreendidos uma BMW 440i, uma Honda CB1000R e uma moto. No cofre do quarto, a equipe encontrou um pendrive, três relógios Rolex, um Patek Philippe e um crucifixo de ouro avaliado em R$ 17,7 mil. No escritório, havia um iPad, mais de US$ 27 mil em dinheiro e outras moedas estrangeiras.
O celular do senador também foi recolhido. A senha não foi fornecida, mas a PF extraiu dados do aparelho, inclusive arquivos apagados recuperáveis. O laudo não detalha quais arquivos foram recuperados.
A investigação também suspeita que Nogueira tenha usado o mandato para beneficiar Daniel Vorcaro, dono do extinto Master. Documentos citados pela PF afirmam que Vorcaro custeou viagens internacionais do senador entre 2024 e 2025. Nogueira nega relações ilegais com o banqueiro. Sua defesa, assinada por Conrado Almeida Corrêa Gontijo, declarou que ele “está à absoluta disposição de todas as autoridades incumbidas da persecução penal” para prestar esclarecimentos.








