A inteligência artificial passou a ocupar um espaço central na disputa das marcas por visibilidade na internet. Um relatório da LatAm Intersect indica que 65% dos consumidores latino-americanos já recorrem à tecnologia para buscar informações antes de decidir uma compra.
Esse cenário ampliou a importância do Generative Engine Optimization (GEO), conjunto de práticas destinado a aumentar a presença de marcas nas respostas produzidas por modelos de IA. Em vez de comparar várias opções em mecanismos de busca tradicionais, o consumidor pode receber uma resposta única, que menciona uma marca ou uma concorrente.
Para aparecer nessas respostas, não basta estar presente em buscadores convencionais. Os modelos precisam identificar o que a marca oferece e por que ela pode ser considerada confiável diante de outras alternativas.
Menções na internet ganham peso
Uma análise da Ahrefs encontrou correlação de 0,664 entre as menções a marcas na internet e a presença delas em sistemas de IA. Entre os backlinks tradicionais de SEO, a correlação foi de 0,218.
Pesquisa de pesquisadores de Princeton, Georgia Tech e IIT Delhi apontou que distribuir conteúdo em diferentes publicações, em vez de concentrá-lo no site próprio, pode elevar em até 325% as citações feitas por um modelo de IA a uma marca. A presença mais espalhada na internet aumenta as chances de a empresa ser mencionada quando alguém pergunta à tecnologia onde comprar ou o que escolher.
A adoção também avançou entre empresas e consumidores. Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que 85% das startups latino-americanas usam inteligência artificial generativa. A Linux Foundation registra que 57% das empresas melhoram a satisfação dos clientes e 54,3% aumentam as vendas com essas ferramentas.
O relatório Redegal 2026 aponta que o uso de IA entre consumidores chega a 76% no Brasil e a 70% no México. Além disso, 74% dos diretores de marketing da região já transferiram parte do investimento destinado ao SEO tradicional para iniciativas relacionadas aos mecanismos generativos. Entre os brasileiros, 57% confiam na IA tanto quanto em outras pessoas; na Geração Z, 42% acreditam que a tecnologia mudará a forma de comprar.
Estratégia depende do comportamento do cliente
Para Lívia Gammardella, diretora de marketing e digital da LatAm Intersect, as empresas precisam considerar como os próprios clientes fazem suas buscas. “O desafio está em responder exatamente ao que essa audiência espera encontrar”, afirmou.
Segundo Gammardella, o principal risco não é apenas escolher uma palavra-chave inadequada, mas deixar de ser percebida pelo modelo. Informações respaldadas por fontes confiáveis e distribuídas pela internet tendem a ganhar mais credibilidade nessas plataformas.
A mudança no canal de busca mantém o desafio de fazer os modelos compreenderem o conteúdo de uma marca para além de um conjunto de palavras-chave. A visibilidade nas respostas de IA passa a integrar a disputa por consumidores ao lado de preço e distribuição.








