A Meta pretende levar à América Latina um sistema de moderação baseado em usuários voluntários, substituindo parte do trabalho de verificadores profissionais. A expansão deve alcançar 16 países, mas a empresa ainda não definiu quando começará a operação na região.
A mudança ocorre durante um período de eleições e de aumento na circulação de vídeos, áudios e imagens fabricados por inteligência artificial. No Brasil, autoridades eleitorais alertam para conteúdos capazes de simular declarações inexistentes de candidatos, influenciar eleitores e criar crises artificiais.
Como funcionam as notas
Chamado de notas da comunidade, o mecanismo permite que usuários escrevam observações sobre publicações consideradas enganosas ou pouco claras. Para que uma anotação seja exibida, um número suficiente de colaboradores precisa considerá-la útil. O modelo foi inspirado no sistema criado pelo Twitter em 2021 e ampliado depois da compra da plataforma por Elon Musk.
Para participar, é necessário ter mais de 18 anos, manter uma conta ativa há pelo menos seis meses e não acumular violações reiteradas das regras da Meta. Nos Estados Unidos, a empresa implantou o sistema em 2025, depois de anunciar o fim do programa de verificação profissional no país.
Laura Sanabria, editora do Detector de Mentiras, do site colombiano La Silla Vacía, e integrante da Junta de LatamChequea, afirma que o modelo pode ser lento. Estudos sobre o funcionamento das notas no X indicam, segundo ela, que muitas só se tornam públicas depois que o conteúdo deixa de ser viral. “A nota aparece para todos quando já passaram as 48 horas cruciais de uma publicação”, disse.
A rede de verificadores profissionais foi criada pela Meta há dez anos e remunera mais de 80 veículos em diferentes países, incluindo a AFP. Sanabria afirma que esses profissionais analisam conteúdos, produzem textos com metodologia clara e alertam a plataforma, que decide se aplica etiquetas, reduz o alcance, suspende ou bloqueia contas.
Um caso citado por La Silla Vacía envolveu um vídeo com 1,5 milhão de visualizações que mostrava supostas marchas contra o governo colombiano. As imagens eram falsas, e a Meta classificou o material como enganoso.
Christine Balagué, fundadora da rede Good in Tech, avalia que a moderação coletiva pode ser manipulada por pessoas mal-intencionadas. O Conselho de Supervisão da Meta também advertiu, em março, que a expansão global pode trazer riscos aos direitos humanos, especialmente em países com histórico de repressão política.
A Rede Europeia de Padrões de Verificação de Dados alertou que a redução dos esforços das plataformas contra a desinformação ameaça a integridade de processos democráticos e a confiança pública. A Meta afirma que as notas ampliam a participação dos usuários e tornam a moderação mais transparente. Verificadores independentes contestam a eficácia, a velocidade e a vulnerabilidade do mecanismo.








