A menos de um mês das eleições, diretórios do PL no Nordeste enfrentam disputas internas relacionadas à distribuição de recursos e de material de campanha. Também há reclamações sobre o envolvimento de candidatos estaduais no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, que tenta ampliar a presença do bolsonarismo em uma região historicamente associada a Luiz Inácio Lula da Silva e ao petismo.
Em 2022, Lula venceu no Nordeste por uma diferença de 12,5 milhões de votos. A vantagem ajudou o petista a superar Jair Bolsonaro na votação nacional, por 2,1 milhões de votos.
Os conflitos estão ligados aos diferentes acordos feitos pelo PL nos estados. O partido lançou candidatos próprios ao governo em algumas disputas, apoiou adversários em outras e concentrou esforços, em determinados locais, nas candidaturas ao Senado.
Conflitos nos estados
Em Alagoas, Flávio realizou, no final de agosto, sua primeira agenda de campanha no Nordeste. O estado foi o único da região vencido por Bolsonaro no segundo turno de 2022 e é também o local de origem de Alfredo Gaspar, deputado federal e vice na chapa presidencial do PL.
Os eventos reuniram militantes de extrema-direita, mas não tiveram a participação de João Henrique Caldas, o JHC, candidato ao governo apoiado pelo PL, nem de Arthur Lira, candidato ao Senado. Na segunda-feira 7, JHC evitou dizer quem apoiará para a Presidência.
Em Sergipe, a disputa interna tornou-se pública após divergências sobre a divisão do dinheiro de campanha. Rodrigo Valadares, candidato ao Senado, acusou Coronel Rocha de pressionar o partido por recursos e de atuar contra seu grupo político. A crise aumentou depois de Rocha criticar a falta de verba e de material.
Na terça-feira 8, Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro, publicou um vídeo afirmando que Valadares era o único candidato ao Senado no estado apoiado por seu pai.
A chapa apoiada pelo bolsonarismo em Sergipe é liderada por Ricardo Marques, vice-prefeito de Aracaju. A escolha ocorreu depois do rompimento do grupo Valadares com o grupo político de Valmir de Francisquinho, que desorganizou a composição anterior do PL no estado.
Na Bahia, candidatos também relatam dificuldades para receber recursos e material de divulgação. Dirigentes estaduais questionam ainda a atuação de João Roma, presidente estadual do PL, considerado pouco empenhado na campanha de Flávio.
Roma disputa o Senado na chapa de ACM Neto e, em sua primeira inserção na televisão, destacou sua passagem pelo Ministério da Cidadania, sem mencionar Bolsonaro ou sua família. Integrantes do diretório baiano também apontam que a identidade visual de Roma se aproxima da campanha de Neto, com predominância de azul, rosa e branco.
Roma afirma que defende Bolsonaro em sua atuação política e diz pedir votos para Flávio em compromissos ao lado de Neto. O ex-prefeito de Salvador, apesar de contar com o apoio do PL na eleição estadual, declarou voto em Ronaldo Caiado para presidente.
No Ceará, o PL integra a chapa de Ciro Gomes para o governo, com Alcides Fernandes como candidato ao Senado. O acordo foi limitado à eleição estadual e não se estende à disputa presidencial. Dirigentes do partido dizem que a aliança é pragmática, porque Ciro seria o principal nome competitivo da oposição a Elmano de Freitas, candidato à reeleição.
O pacto provocou reação na ala mais ideológica do PL e gerou uma disputa pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio. Uma pesquisa Datafolha divulgada na semana passada indica que Lula tem vantagem de 34 pontos percentuais sobre seu adversário entre os eleitores nordestinos.
Aliados de Flávio reconhecem que os acordos locais dificultam uma mudança no cenário regional. A expectativa é atuar com líderes do PL no Nordeste em um eventual segundo turno, depois do encerramento das disputas estaduais, para enfrentar o petista.








