DUBLIN — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (12) que gostaria de ver a Irlanda do Norte, administrada pelo Reino Unido, unida à Irlanda. A afirmação foi feita em Dublin, ao lado do primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, e provocou reação de unionistas pró-britânicos na Irlanda do Norte.
Trump afirmou que a unificação aconteceria eventualmente e classificou a possibilidade como algo positivo. Mais tarde, disse que não havia uma boa resposta para a questão, mas reiterou que considerava a unificação uma possibilidade desejável.
A declaração ocorreu semanas depois de o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmar que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do país estava fora de questão. A residência oficial do primeiro-ministro em Downing Street confirmou neste sábado que essa posição não mudou.
Reações na Irlanda do Norte
Gavin Robinson, líder do Partido Unionista Democrático, rejeitou a manifestação de Trump. O partido é o maior da Irlanda do Norte entre os que defendem a continuidade da união com o Reino Unido. Em uma publicação no X, Robinson afirmou que o futuro constitucional da região será decidido por seus habitantes, e não por autoridades de Londres, Dublin ou Washington. Ele já havia apoiado Trump publicamente.
Em Belfast, Eamon Hanna, apoiador do partido nacionalista SDLP, reagiu com cautela e disse acreditar que Trump estaria apenas tentando chamar atenção.
Pelos termos do Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998, um referendo sobre a unificação só pode ser convocado por decisão do governo britânico. O acordo encerrou três décadas de violência entre nacionalistas irlandeses, favoráveis à união da ilha, e unionistas, que defendiam a permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido.
Pesquisas indicam que uma maioria na Irlanda do Norte ainda prefere permanecer no Reino Unido, embora a diferença tenha diminuído ligeiramente desde a saída britânica da União Europeia. Presidentes anteriores dos Estados Unidos, incluindo Joe Biden, mantiveram neutralidade sobre a questão. O governo americano teve papel central na mediação do acordo de paz de 1998.








