DUBLIN — A visita de Donald Trump à Irlanda foi marcada por declarações sobre a unidade da ilha e por uma agenda concentrada em comércio, energia e conflitos internacionais. Em uma reunião com o primeiro-ministro Micheál Martin, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “adoraria ver a Irlanda unificada”, em referência à República da Irlanda e à Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido.
Trump chegou ao país neste sábado de manhã e também se reuniu com a presidente irlandesa, Catherine Connolly. O encontro com a chefe de Estado ocorre em meio a diferenças políticas entre os dois. Na visita anterior do presidente americano à Irlanda, em 2019, Connolly ainda era deputada e se posicionou contra a presença de Trump no país.
Antes de viajar, Trump também declarou que “poderia rever a posição dos Estados Unidos face às Malvinas”, após uma nova reivindicação do território pelo presidente argentino Javier Milei. O americano disse ainda que o Reino Unido é hoje um país muito diferente do que era em 1982, quando Margareth Thatcher ordenou uma intervenção militar contra a invasão argentina das ilhas.
A passagem pela Irlanda coincide com o torneio de golfe Irish Open, realizado no clube Trump International Golf Links and Hotel Doonbeg, no condado de Clare. Trump deverá permanecer a maior parte das 48 horas da visita no local, onde participam jogadores como o norte-irlandês Rory McIlroy. A previsão é que ele fique no país até a noite de domingo, quando deverá entregar o troféu ao vencedor.
Na conversa com Martin, também foram tratados os vínculos comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos, o apoio à Ucrânia, o conflito com o Irão e a situação na Palestina. A Irlanda esteve entre os 12 países que apoiaram sanções contra os colonatos israelitas na Cisjordânia. A Casa Branca ainda não respondeu à declaração, embora Dublin esperasse uma reação por envolver Israel, descrito como aliado dos Estados Unidos.
Trump deverá pressionar a Irlanda a comprar gás natural liquefeito dos Estados Unidos durante as negociações comerciais. A visita ainda é acompanhada por uma manifestação liderada pela atriz americana Rosie O'Donnell, que se mudou para a Irlanda depois de Trump ganhar um segundo mandato.
Connolly foi ativista anti-guerra e, antes de ser eleita presidente da Irlanda, em 2025, criticou o primeiro mandato de Trump. A irmã dela, Margaret Connolly, foi detida pelas forças militares israelitas em maio de 2026, após a interceptação de um barco de ajuda humanitária com destino a Gaza. Martin classificou o episódio como “inaceitável”.








