Uma empresa neerlandesa está transformando pás de turbinas eólicas descartadas em pequenas estruturas habitáveis, chamadas Nacelle Micro Home. A iniciativa busca dar novo destino a um material composto difícil de reciclar e que, em muitos casos, acaba em aterros sanitários.
As pás têm vida útil menor que a de partes como a fundação e a torre das turbinas. Enquanto esses componentes podem durar cerca de 30 anos, geradores e pás se desgastam antes. Segundo o Laboratório Nacional de Energias Renováveis dos Estados Unidos, as pás costumam durar cerca de 20 anos com a tecnologia atual.
Por que o material é difícil de reaproveitar
As pás precisam combinar resistência para suportar ventos fortes e raios com baixo peso, necessário para o funcionamento eficiente da turbina. Por isso, são produzidas com fibra de vidro ligada por resina epóxi.
Quando esse compósito é triturado ou desmontado, suas fibras internas são danificadas. O processo praticamente impede o reaproveitamento direto do material em outros produtos manufaturados. A transformação em uma microcasa cria uma alternativa ao descarte, além de reduzir a exposição direta que ocorreria durante a trituração ou em métodos tradicionais de destinação.
Outras aplicações já foram testadas. Pás inteiras podem ser usadas como vigas em pontes, substituindo estruturas metálicas em projetos de engenharia civil. Uma pá também pode funcionar como barreira acústica em áreas urbanas. Em um centro comercial de Shenzhen, na China, um banco foi produzido com três pás.
Em Roterdã, um parquinho infantil montado com pás recicladas está em funcionamento. Os exemplos mostram que o material também pode ser incorporado a projetos de infraestrutura e mobiliário urbano.
Riscos e desafios logísticos
Fibras de vidro suspensas no ar podem provocar irritação respiratória e gastrointestinal em pessoas que as inalam repetidamente. Não há evidência de que sejam cancerígenas, mas o manuseio continua exigindo cuidado. Transformar as pás em produtos acabados pode evitar parte da exposição direta.
O principal obstáculo para ampliar a reutilização é logístico. O tamanho crescente das turbinas torna caro e difícil transportar pás usadas por longas distâncias. Por isso, o reaproveitamento próximo aos parques eólicos pode reduzir os custos e manter o material perto do local onde está disponível.
A expansão da energia eólica tende a aumentar a quantidade de pás que precisará de destinação. Se essa tendência continuar, estima-se que as turbinas possam produzir até 30 megawatts até 2035, ampliando a necessidade de alternativas ao descarte em aterros.








