SÃO PAULO — A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira, 10 de setembro, duas armas de cano longo e cinco pistolas registradas em nome do deputado federal Mário Frias (PL). Segundo a corporação, os armamentos não estavam no endereço informado, o que pode configurar porte ilegal de arma de fogo.
A apreensão ocorreu durante a operação Make Up, que investiga uma suposta organização criminosa envolvida no uso de emendas parlamentares para financiar a produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Mário Frias e Karina Ferreira da Gama estão entre os alvos. São apurados possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Da Secretaria de Cultura ao Congresso
Ex-ator da Globo, Record e RedeTV, Frias entrou na política formal em maio de 2020, quando assumiu a Secretaria Especial de Cultura após a saída de Regina Duarte. Durante a gestão, aproximou cultura e defesa do armamento. Em 2022, prometeu, ao lado de André Porciuncula, R$ 1 bilhão da Lei Rouanet para projetos ligados a grupos armamentistas.
Naquele período, Frias afirmou: “Se a gente acredita em armas, a gente precisa criar os heróis”. Em 2022, ele foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de R$ 1,4 milhão da direção nacional do PL.
Emendas e produção do filme
Como deputado, Frias destinou duas emendas de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, produtora de Dark Horse. A investigação aponta ainda que pessoas ligadas a empresas da produtora fizeram doações para a campanha de Frias em 2022.
A Polícia Federal identificou envios de R$ 645,4 mil feitos por Frias à empresa Go Up em menos de 60 dias. O valor seria incompatível com a renda mensal do deputado, estimada em cerca de R$ 44 mil. Por ordem de Flávio Dino, Frias está impedido de deixar o país. Não havia ordem de prisão.
A Go Up movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. As gravações de Dark Horse teriam ocorrido entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. Frias também teria se ausentado da Câmara sob a justificativa de uma missão oficial relacionada à implantação de escolas cívico-militares, período que coincidiu com filmagens.
Envolvimento de integrantes da família Bolsonaro
Flávio Bolsonaro aparece em um áudio pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme. Inicialmente, negou envolvimento e depois admitiu ter feito o pedido, negando ilegalidade. Os pagamentos atribuídos a Vorcaro somariam R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, além de R$ 8,2 milhões identificados posteriormente.
Eduardo Bolsonaro é citado em um rascunho de contrato com a empresa Freeway Cam B.V., que teria interesse em movimentar recursos para a produção. Ele também aparece relacionado ao fundo Havengate, sediado nos EUA. O advogado Paulo Calixto administraria o fundo, que teria recebido cerca de R$ 69 milhões por meio de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
A operação é um desdobramento da ação Compliance Zero, que investiga desvios no Banco Master e levou à prisão de Vorcaro em 2025. No Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino relata as investigações sobre irregularidades no orçamento de emendas relacionadas ao filme.








