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Pressão sobre exploração nas Malvinas aproxima Milei de parte da oposição

A proposta de endurecer sanções contra empresas petrolíferas recebeu apoio, apesar da baixa aprovação do presidente argentino.

Pressão sobre exploração nas Malvinas aproxima Milei de parte da oposição

A proposta do presidente Javier Milei de endurecer as sanções contra empresas que exploram petróleo nas proximidades das Ilhas Malvinas recebeu apoio até de adversários políticos, embora críticos considerem que o governo deveria ter agido antes.

Milei anunciou, em discurso televisionado na quinta-feira, que enviará ao Congresso um projeto para punir empresas envolvidas em perfurações e em outras atividades nas ilhas que afetem recursos naturais argentinos. O governo não divulgou detalhes adicionais da proposta. Como a Argentina não administra o arquipélago, não pode impedir diretamente as operações.

Mudança na política sobre as ilhas

A Argentina reivindica a soberania sobre as Malvinas há quase dois séculos e perdeu para o Reino Unido a guerra pelo território em 1982. O governo britânico afirmou na sexta-feira que sua posição sobre o tema era “inabalável”.

Antes, Milei defendia a diplomacia em vez do confronto. A nova postura também inclui a criação de um conselho de segurança nacional para coordenar políticas de segurança aeroespacial e marítima. O presidente prometeu ainda mais recursos para uma base naval na Terra do Fogo, província mais ao sul do país e ponto de acesso estratégico às Malvinas e à Antártida.

Em Buenos Aires, a contadora Mariana Hamicha, de 49 anos, disse que a posição do presidente indicava uma defesa dos interesses argentinos. Juan Battaleme, ex-secretário de assuntos internacionais da Defesa no governo de Milei, afirmou que o presidente percebeu que era hora de agir.

Exploração e reação internacional

O campo petrolífero Sea Lion, ao norte das Malvinas, é operado pela Navitas Petroleum, que detém a participação majoritária. A Rockhopper Exploration possui 35%. As duas empresas têm fortes vínculos com investidores israelenses.

As companhias declararam na sexta-feira que suas licenças de exploração permaneciam válidas e que não esperavam impacto dos comentários de Milei sobre o projeto. As ações das duas empresas caíram na sexta-feira.

O discurso ocorreu dias depois de Donald Trump sugerir que os Estados Unidos poderiam rever sua posição neutra na disputa, citando a insatisfação com o apoio limitado do Reino Unido às operações militares lideradas pelos americanos no Oriente Médio.

Apoio com ressalvas

Candela Mascetti, pesquisadora da Escola Superior de Guerra em Buenos Aires, avaliou que as declarações representaram uma mudança para um presidente frequentemente criticado por não dar atenção suficiente à questão das Malvinas. Ela disse que a instalação de uma base naval não significava necessariamente um chamado às armas, mas representava uma postura inédita no governo de Milei pela contundência.

Veteranos da guerra e integrantes da oposição de esquerda criticaram o presidente por elogiar Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica cujo governo derrotou a Argentina no conflito. Milei também afirmou esperar que os habitantes das ilhas decidissem, um dia, votar na Argentina. Críticos disseram que a declaração se aproximava da defesa britânica do direito à autodeterminação dos moradores.

Milei deve concorrer à reeleição em 2027 e tem aprovação de 36,8%, conforme pesquisa realizada em agosto pela Zuban Córdoba e Associados. Para Benjamin Gedan, do Stimson Center, a baixa aprovação e a possibilidade de mudança na postura americana ajudam a explicar a linha mais dura.

Juan Grabois, líder de esquerda, classificou a mudança como bem-vinda, enquanto Guillermo Carmona, que supervisionou a política argentina para as Malvinas no governo anterior, considerou as medidas positivas, mas insuficientes. Carmona defendeu que Milei pressione o governo israelense. Autoridades de Israel não responderam ao pedido de comentário sobre as sanções.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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