O Irã vai dobrar o preço da gasolina vendida acima da cota individual em meio à escassez de combustível agravada pela guerra com os Estados Unidos e pelo bloqueio naval americano. A partir de terça-feira, o litro excedente passará de 50 mil para 100 mil riais iranianos.
A cota subsidiada será mantida em 110 litros por motorista, ao preço de 30 mil riais por litro. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que o reajuste foi provocado pelo aumento do consumo e pelo desequilíbrio entre oferta e demanda. Ela também disse que “toda a renda obtida com a alta dos preços será usada para apoiar a renda da população”.
Pressão sobre oferta e inflação
O Irã possui grandes reservas de petróleo e gás, mas sua capacidade limitada de refino e o consumo elevado fazem o país importar gasolina para compensar a diferença entre produção e demanda. O uso intenso de combustível é associado a um sistema de transporte público precário e a veículos pouco eficientes.
A situação piorou desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel, em fevereiro. Ataques contra instalações petrolíferas e petroquímicas reduziram parte da capacidade de refino iraniana. Além disso, o bloqueio americano a portos do sul do país, em vigor em grande parte desde abril, dificultou a entrada de combustíveis e levou o governo a utilizar reservas estratégicas.
Economistas apontam que o aumento pode afetar os preços de bens e serviços. A inflação em 12 meses se aproxima de 90%, enquanto a moeda nacional caiu para o menor nível da história, a 2,25 milhões de riais por dólar. O presidente Masoud Pezeshkian tem dito que os preços subsidiados atuais não são sustentáveis para a economia.
O presidente da Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo, Mohammad Sadegh Azimifar, afirmou que a produção doméstica alcançou recentemente os “maiores níveis da história”, mas o país ainda registra déficit diário de 10 milhões de litros. Segundo ele, 85% da população não será afetada pela mudança, que atingirá apenas o consumo acima do padrão considerado normal.
Exportações de petróleo
O Irã e os Estados Unidos permanecem em um impasse relacionado ao Estreito de Ormuz. Washington intensificou a pressão econômica no último mês, ampliou sanções secundárias contra parceiros comerciais iranianos e ameaçou adotar novas medidas.
O responsável pela segurança iraniana, Mohsen Rezaei, declarou que o país continua recebendo receitas do petróleo apesar do bloqueio naval americano. “Estamos vendendo cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia e estamos recebendo por isso”, disse.
A declaração aparentemente se referia a estoques flutuantes de petróleo bruto mantidos fora da área bloqueada. O Irã afirma trabalhar há décadas em uma “economia de resistência”, concebida para suportar sanções mesmo com o agravamento das dificuldades econômicas para os 90 milhões de habitantes do país.








