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Interações de Milei nas redes sociais caem na Argentina

Pesquisa da Ad Hoc aponta redução nas menções e no engajamento com o presidente argentino desde o início de seu mandato.

Interações de Milei nas redes sociais caem na Argentina
Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg

A presença digital de Javier Milei perdeu força na Argentina desde que ele assumiu a Presidência, segundo um informe da consultoria em comunicações Ad Hoc. As menções ao presidente em redes sociais e sites somaram 3,7 milhões em junho, aproximadamente 72% abaixo do pico de 12,6 milhões registrado em fevereiro de 2025.

O engajamento com as publicações de Milei no X, incluindo republicações e curtidas, caiu 62% desde o início do mandato, de acordo com a mesma consultoria. Para Kevin Grunbaum, diretor da área digital da Ad Hoc, a redução indica desgaste na opinião pública sobre o presidente. A assessoria de imprensa de Milei não respondeu de imediato ao pedido de comentário.

Crise política e disputas internas

A Ad Hoc considera que um escândalo relacionado à promoção de uma criptomoeda, ocorrido em fevereiro de 2025, marcou uma mudança na dinâmica digital do governo. Desde então, as conversas sobre Milei passaram a ser mais influenciadas por acontecimentos fora de seu controle do que pela agenda que ele pretende divulgar.

As divisões também atingiram a base de apoio do presidente. Em Buenos Aires, Daniel Parisini, conhecido como Gordo Dan e apresentador de podcasts com integrantes do alto escalão do governo, passou a criticar publicamente alguns deles em 2025. As disputas se intensificaram em 2026, quando parte da base digital se voltou contra figuras da coalizão governista.

Entre os principais nomes da estratégia digital, Fernando Cerimedo foi preso na Bolívia em agosto sob acusação de feminicídio. Manuel Adorni, ex-porta-voz do governo, renunciou em junho após um escândalo de enriquecimento ilícito. Os dois negam irregularidades.

Também houve atrito com a China. A embaixada chinesa na Argentina criticou Juan Pablo Carreira, diretor de comunicação digital de Milei, depois de ele especular que uma estatal chinesa e o Partido Comunista estariam envolvidos no desabamento de uma geleira na fronteira entre a China e o Nepal.

Alcance político em queda

Milei construiu sua projeção pública com aparições na televisão, vídeos virais e uma presença constante na internet. Insultos, memes e ataques à chamada “la casta” fizeram parte da estratégia usada pelo presidente antes e depois da campanha de 2023.

As redes sociais também ajudaram Milei a compensar a ausência de uma estrutura política tradicional e a pouca presença física em diferentes regiões do país. Durante a campanha de 2023, ele viajou relativamente pouco pela Argentina, mas venceu na maioria dos votos nas 23 províncias. Desde que assumiu o cargo, ainda não visitou nove províncias.

O efeito da estratégia contra adversários também pode ter mudado. Em abril de 2024, Milei usou um gesto do senador Martin Lousteau durante uma votação sobre o aumento de salários dos parlamentares para criticá-lo. A imagem positiva de Lousteau caiu para 17% em junho daquele ano, ante 38% em janeiro de 2023, conforme pesquisa da D'Alessio IROL-Berensztein.

Agora, Milei tem criticado a política de esquerda Myriam Bregman, que aparece de forma constante entre os nomes mais populares da Argentina nas pesquisas deste ano. Sergio Berensztein, de uma consultoria política sediada em Buenos Aires, afirmou que os escândalos e a desaceleração da economia reduziram a força da militância digital do presidente.

A estrutura digital, porém, não desapareceu. O YouTube passou a concentrar mais conteúdos contrários a Milei, sem que os políticos tradicionais da oposição liderassem esse movimento. Lucas Malaspina, diretor da Sustantiva, disse que o núcleo ativista continua coeso, apesar da perda de alcance do presidente e de seus funcionários.

A disputa pelo controle das comunicações digitais envolve Santiago Caputo, um dos principais assessores de Milei, e Karina Milei, irmã do presidente. O porta-voz Adrian Ravier chegou a anunciar o nome de um auxiliar de Karina para comandar a área digital, mas voltou atrás poucas horas depois.

Para analistas políticos, o impacto da perda de alcance pode ser temporário se a oposição continuar sem uma mensagem coordenada. Sergio Berensztein avaliou que a situação econômica deverá ter mais peso para a opinião pública do que a atuação nas redes sociais.

Texto produzido pela Redação Horizonte do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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