MADRID — Kimi Antonelli venceu o Grande Prêmio de Madrid, realizado no novo circuito urbano de Madring, na zona de IFEMA-Valdebebas. A estreia foi acompanhada por acidentes, bandeiras vermelhas e protestos relacionados ao custo do projeto, ao ruído dos motores e ao impacto ambiental.
O traçado foi desenhado pelo estúdio italiano Dromo. Com 5.419 metros e 22 curvas, o circuito combina trechos rápidos, como as curvas encadeadas de Valdebebas, e setores técnicos, como o Búnker. O Grande Prêmio de Espanha teve 57 voltas, com tempo de volta rápida estimado entre 1:31 e 1:32.
A reta principal tem 589 metros, e os carros superam os 320 km/h antes de frear até os 100 km/h. A reta mais longa chega a 837 metros. Um dos pontos mais marcantes é La Monumental, curva inclinada com 24% de inclinação e entre 547 e 550 metros de comprimento. O circuito também passa por El Parque, a curva 22, antes da reta de chegada.
Acidentes e resultados nas categorias
Os testes de Fórmula 3 realizados em agosto registraram 19 bandeiras vermelhas, sendo 11 causadas por toques nas barreiras. Na Fórmula 1, Lewis Hamilton e Ollie Bearman se acidentaram durante os Treinos Livres 3. Hamilton voltou aos boxes com o pneu dianteiro direito furado e parte do aerofólio danificada, mas terminou a sessão em 9º.
Kimi Antonelli liderou os Treinos Livres 3 com 1:32,797, à frente de Charles Leclerc e Oscar Piastri. Na corrida, Norris recuperou a liderança depois de um erro de Antonelli na primeira curva. Verstappen ultrapassou Hamilton e também passou Antonelli nas curvas 5-6.
A estratégia da Mercedes prevaleceu. Um carro de segurança virtual prejudicou Norris, que não conseguiu parar nos boxes durante a neutralização. Depois, uma parada de sete segundos por um problema em uma roda deixou o britânico em 5º. Leclerc liderou durante dois terços da prova, mas perdeu o pódio ao parar oito voltas antes do fim. Antonelli aproveitou o momento e venceu.
Na Fórmula 2, Dino Beganovic ganhou após liderar as 32 voltas. Kush Maini bateu no fim da 2ª volta, e Rafael Câmara e Goethe se envolveram em outro acidente na volta 19. Alex Dunne terminou em 2º, e Miyata ficou em 3º.
Na Fórmula 3, Ugo Ugochukwu terminou em 2º e garantiu o título de pilotos para a Campos Racing, que já havia assegurado o segundo título consecutivo de equipes. Slater terminou em 8º.
Tecnologia e críticas ao circuito
O Madring Tech Summit apresentou aplicações de inteligência artificial na Fórmula 1. A ElevenLabs demonstrou uma voz sintética capaz de reproduzir a fala do piloto da Audi Nico Hünkelberg. A AWS mostrou o Track Pulse, painel que cruza dados dos carros com o histórico de corridas para antecipar situações da prova.
A Globant apresentou a plataforma Pitwall, que reúne mais de 30 canais de vídeo, telemetria e comunicações de rádio. A Crowdstrike desenvolveu agentes de inteligência artificial para simular ataques e defesas em cibersegurança. Também foram citados os gêmeos digitais da Siemens e a infraestrutura de rede da Cisco.
A plataforma StopF1 Madrid classificou o projeto como um “parque temático” financiado com fundos públicos e criticou a falta de atenção a habitação acessível, transporte público sustentável e adaptação climática. O custo informado para o circuito foi de 200 milhões de euros, além de um pagamento anual de cerca de 50 milhões à Liberty Media.
A Greenpeace apontou impacto de 43.000 toneladas de CO2 e ruído acima de 100 dB. Moradores de IFEMA e Valdebebas também reclamaram das obras e do barulho dos motores.








