Dholavira, na Índia, permaneceu ocupada por aproximadamente 1.500 anos, apesar de ter sido construída em uma ilha árida sem um grande rio perene atravessando diretamente seu território. Erguida há cerca de 5 mil anos, a cidade desenvolveu uma organização urbana capaz de sustentar gerações sucessivas de moradores.
A sobrevivência do assentamento esteve ligada a soluções de planejamento urbano e à engenharia hídrica. Dholavira capturava água de dois riachos sazonais para encher grandes reservatórios, recurso que ajudava a enfrentar a limitação hídrica do território.
Uma cidade dividida por funções
O espaço urbano era organizado em setores com finalidades diferentes. Áreas fortificadas ficavam claramente separadas do restante da cidade, enquanto bairros residenciais e espaços produtivos ocupavam outras partes do assentamento.
Dholavira também tinha oficinas dedicadas a atividades produtivas. Esses espaços integravam a economia da cidade e eram distintos tanto das áreas residenciais quanto das áreas fortificadas. A divisão indica um planejamento urbano estruturado, mantido e possivelmente ajustado ao longo dos cerca de 1.500 anos de ocupação.
A separação entre bairros ajudava a ordenar a vida cotidiana e a organizar funções específicas dentro da cidade harappana. A estrutura espacial reunia, no mesmo assentamento, setores destinados à moradia, à produção e à proteção.
Longevidade urbana
A permanência de Dholavira por aproximadamente 1.500 anos chama a atenção por combinar ocupação de longa duração, escassez de água e organização urbana. A cidade conseguiu manter seu funcionamento por gerações sucessivas em um território sem acesso direto a um grande curso d’água contínuo.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura informa que Dholavira é uma cidade da era harappana localizada em Gujarat, na Índia. O local foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial e se tornou o 40º patrimônio indiano a entrar nessa relação.
A combinação entre reservatórios, áreas fortificadas, oficinas e bairros com funções distintas faz de Dholavira um caso relevante para o estudo de como sociedades antigas sustentavam centros urbanos complexos por períodos extensos.








