Profissionais de classe média e com formação universitária nos Estados Unidos estão recorrendo cada vez mais a uma segunda ocupação ou a fontes alternativas de renda. O movimento reflete a busca por maior estabilidade financeira em um mercado de trabalho marcado por incertezas, demissões e mudanças nas áreas de escritório.
Antes da pandemia, trabalhadores de baixa, média e alta renda apresentavam proporções relativamente parecidas de pessoas com mais de um emprego. Nos últimos anos, porém, a participação da classe média nesse grupo aumentou. Para esses trabalhadores, uma renda adicional passou a ser vista como uma forma de proteção diante de imprevistos.
Uma análise do Federal Reserve de Richmond mostra que profissionais com formação universitária representavam cerca de 35% das pessoas com múltiplos empregos nos anos 1990. Em 2024, eles já correspondiam a mais da metade desse grupo. A mudança indica que o trabalho paralelo deixou de estar concentrado principalmente entre trabalhadores de menor renda.
A Bankrate também identificou crescimento na parcela de americanos que afirmam manter uma atividade paralela. As estatísticas oficiais podem não registrar todo o fenômeno, já que parte do trabalho por aplicativo e de atividades independentes não aparece integralmente nos levantamentos tradicionais sobre múltiplos empregos.
As mulheres também ampliaram sua presença entre os trabalhadores com mais de um emprego, aumentando a diferença em relação aos homens. O avanço é especialmente perceptível entre mulheres de 20 a 24 anos.
Nesse contexto, o segundo emprego deixou de representar apenas uma maneira de aumentar os ganhos mensais para parte da classe média. A diversificação das fontes de renda passou a ser encarada como uma estratégia para reduzir a dependência do salário principal e a vulnerabilidade diante da instabilidade profissional. O avanço da inteligência artificial e as demissões em áreas de colarinho branco contribuíram para ampliar a percepção de risco entre trabalhadores qualificados.








