A Petrobras pode passar por uma nova rodada de revisões positivas nas projeções de produção. Análises do Bradesco BBI e do BTG Pactual indicam que o mercado ainda subestima a capacidade de expansão da estatal, impulsionada pelo pré-sal, pela entrada de novas plataformas e por ganhos operacionais.
O Bradesco BBI estima que a produção média de petróleo poderá superar 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e ultrapassar 3 milhões de barris diários em 2028. As projeções ficam acima das estimativas atualmente consideradas pelo mercado.
A Petrobras produziu, em média, 2,63 milhões de barris por dia no primeiro semestre de 2026, enquanto a orientação oficial para o ano aponta para cerca de 2,5 milhões de barris diários. Para 2027, a companhia projeta 2,6 milhões de barris por dia. O BBI, porém, calcula uma média entre 2,81 milhões e 2,83 milhões de barris diários naquele ano, ante aproximadamente 2,77 milhões projetados pelo mercado.
Para 2028, o consenso prevê cerca de 2,88 milhões de barris por dia, enquanto o cenário mais otimista do banco chega a 3,05 milhões. O BTG Pactual projeta 2,73 milhões de barris diários em 2026, 2,84 milhões em 2027 e 2,88 milhões em 2028.
Plataformas e campos sustentam crescimento
O campo de Búzios é apontado como um dos principais motores da expansão. A gestão da presidente Magda Chambriard antecipou a entrada em operação da P-79, que começou a produzir três meses antes do previsto, e trabalha para iniciar a produção da P-80 no primeiro trimestre de 2027. As plataformas P-82 e P-83 também devem contribuir para o aumento da produção ao longo do próximo ano.
O BBI estima que cerca de 500 mil barris por dia de capacidade adicional ainda entrarão em operação até o fim de 2027. O BTG atribui parte do desempenho recente à produtividade dos poços do pré-sal, à operação de plataformas acima da capacidade nominal e à expansão da capacidade de diferentes FPSOs.
Em Búzios, alguns poços produzem mais de 30 mil barris por dia cada um. O FPSO Almirante Tamandaré alcançou cerca de 263 mil barris por dia em julho, acima da capacidade nominal de 225 mil barris diários, e tem autorização para chegar a 270 mil barris por dia.
No campo de Tupi, o BBI calcula que a taxa média de declínio da produção foi de 2% nos últimos três anos. O banco relaciona o resultado à qualidade geológica do reservatório, ao uso de sísmica 4D, à injeção de água e ao gerenciamento dos poços.
A análise também destaca a Bacia de Campos. A produção dos ativos do pós-sal cresceu 11% em 2025 e deve avançar 5% em 2026, principalmente com os FPSOs Maria Quitéria e Anna Nery, nos campos de Jubarte e Marlim. Esses projetos já adicionaram cerca de 130 mil barris por dia. A Petrobras ainda tem nove projetos de revitalização previstos para a região até 2028.
Situação financeira e estimativas dos bancos
Para o BTG Pactual, a Petrobras chega ao atual ciclo eleitoral combinando crescimento da produção, ativos de baixo custo, forte geração de caixa, balanço patrimonial conservador e uma estrutura de governança mais robusta. O banco ressalta que as discussões sobre política de preços dos combustíveis e alocação de capital continuam, mas avalia que a empresa tem projetos rentáveis no pré-sal, investimentos já contratados e posição financeira para enfrentar períodos de volatilidade política.
O Bradesco BBI calcula que uma produção acima de 3 milhões de barris por dia em 2028 poderia elevar em até 10% sua estimativa de valor para a companhia. A recomendação para as ações é outperform, com preço-alvo de US$ 20 para os ADRs.
O BTG Pactual elevou em cerca de 12% suas projeções de EBITDA para 2026 e 2027, para US$ 68,6 bilhões e US$ 63,8 bilhões, respectivamente. O banco reiterou a recomendação de compra para PETR4 e elevou o preço-alvo para R$ 65 ao fim de 2027. A instituição estima ainda yield de fluxo de caixa ao acionista próximo de 14% em 2027 e dividend yield entre 10% e 11%.








